Prefeito de BH não abre espaço para recuo e mantém cortes no Samu
Álvaro Damião diz que decisão “não tem volta”, rejeita interferência no uso de emendas, nega cortes e alega “remanejamento” no Samu em BH
atualizado
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Belo Horizonte — O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), tem endurecido o discurso sobre os cortes de pessoal no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e reforçado, em diferentes falas nos últimos dias, que não pretende voltar atrás na decisão que reduziu o número de profissionais nas equipes.
Durante agenda na região norte da capital, no sábado (24/5), o chefe do Executivo foi direto ao afirmar que a medida “não tem volta” e associou a decisão à necessidade de ajuste nas contas públicas.
“Todos os ajustes que você for fazer na prefeitura para poder readequar, você não pode gastar mais do que ganha. É só isso, a conta é simples, a conta é da sua casa também”, disse. Sobre o Samu, completou: “Nós estamos só adaptando a uma regra nacional. Quantas capitais operam com três pessoas na cabine? […] Só Belo Horizonte. Será que o Brasil inteiro tá errado?”, questionou.
Com os cortes anunciados pela prefeitura, 13 das 22 Unidades de Suporte Básico (USBs) passaram a operar com apenas um técnico de enfermagem por plantão. Outras nove seguem com dois técnicos.
Durante a madrugada desse sábado (2/5), uma única ocorrência precisou ser atendida por três ambulâncias do Samu. O caso gerou revolta e preocupação sobre o efetivo necessário para atender a população da capital mineira.
“Não são cortes”
Já em coletiva realizada na terça-feira (28/4), durante seminário de mobilidade da Frente Nacional de Prefeitos, Damião voltou a negar que haja cortes no serviço e classificou a medida como “remanejamento”.
“Não tem cortes, nós estamos fazendo remanejamentos inclusive obedecendo a lei nacional”, afirmou.
Segundo ele, a nova configuração não exigirá reposição de profissionais e prevê ajustes na operação das ambulâncias. “Não vai precisar de suprir ninguém. Teremos nove outras ambulâncias com três tripulantes, para quando precisarmos nós termos. Precisa ser 100% com três tripulantes? Nós entendemos que não”, disse.
Confira aqui como fica a composição das ambulâncias após os cortes no Samu em BH.
Gestão de emendas
A crise ganhou novo capítulo com a oferta de recursos parlamentares para tentar reverter as demissões. A deputada federal Duda Salabert (PSol-MG) ofereceu cerca de R$ 2 milhões por ano em emendas para manter os técnicos de enfermagem do Samu.
Na mesma linha, o deputado federal Pedro Aihara (PP-MG) também sinalizou a possibilidade de envio de recursos para evitar a redução das equipes.
Damião, no entanto, rejeitou a possibilidade de rever a decisão com base nas ofertas e reforçou que a gestão das verbas cabe exclusivamente ao Executivo municipal.
“Você pode doar a emenda, você pode participar com a emenda e nós queremos emenda. Belo Horizonte não vai abrir mão de emenda. Agora, oferecer emenda é uma coisa, querer gerir é outra completamente diferente”, afirmou.
Em tom firme, completou: “Prefeitura tem prefeito. Belo Horizonte tem prefeito. Quem fala como que vai ser gerido é o prefeito da cidade”.
Crise segue
As declarações ocorrem em meio à repercussão da decisão da prefeitura, que desligou 33 técnicos de enfermagem das Unidades de Suporte Básico (USBs) do Samu. A medida gerou protestos da categoria nos últimos dias.
A decisão tem sido alvo de críticas de parlamentares, entidades da saúde e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que chegou a entrar com uma ação civil contra a determinação da Prefeitura de BH. Apesar disso, o prefeito mantém o discurso de que a decisão está consolidada e, segundo ele, sem qualquer possibilidade de recuo.
