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Minas Gerais

Polícia desarticula esquema interestadual milionário de rifas ilegais

Investigação aponta movimentação de R$ 11,5 milhões e atuação de grupo em quatro estados brasileiros

24/06/2026 15:58
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Policia Civil MG/Divulgação
Operação Vanitas agentes da Polícia civil MG

Belo Horizonte – Uma operação interestadual deflagrada na manhã desta quarta-feira (24/6) cumpriu mandados de prisão, buscas e apreensões contra suspeitos de integrar um esquema criminoso de exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro, organização criminosa e ameaças a apostadores. A ação, denominada Operação Vanitas, teve como alvo integrantes do grupo investigado em Minas Gerais, Piauí, Maranhão e Pará.

Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão, sendo 10 em Pirapora, no Norte de Minas, 16 em Teresina (PI), um em Timon (MA) e um em Rondon do Pará (PA). Também houve o cumprimento de mandados de prisão, alguns já executados e outros ainda em aberto.

Bens bloqueados e veículos sequestrados

Durante a operação, a Justiça autorizou o sequestro de bens móveis ligados aos investigados, incluindo 12 veículos avaliados em aproximadamente R$ 1,1 milhão. Além disso, foram bloqueados ativos financeiros vinculados a 43 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas suspeitas de participação no esquema.

As medidas foram solicitadas durante o andamento das investigações conduzidas pela 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil em Pirapora.

Operação Vanitas viatura da Polícia Civil
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontou operações que somam cerca de R$ 11,543 milhões.

Rifas manipuladas e ameaças a ganhadores

Segundo as apurações, a organização criminosa atuava na comercialização ilegal de bilhetes numerados divulgados em plataformas digitais. O grupo é suspeito de manipular os resultados dos sorteios por meio do controle das chamadas “sobras” — bilhetes que não eram vendidos.

“Eles vendem rifas, só que essas rifas nunca são sorteadas. Eles manipulam as sobras que não são vendidas e sempre acabam acumulando o prêmio.”, explica o delegado Diego Vilhena.

De acordo com os investigadores, o esquema permitia o acúmulo artificial dos prêmios e dificultava a realização legítima dos sorteios. Quando algum apostador reivindicava uma premiação supostamente conquistada, integrantes da organização utilizavam intimidações e ameaças para impedir o pagamento.

“Quando algum apostador acaba ganhando, eles pegam e ameaçam essa vítima”, afirma Vilhena sobre a atuação do grupo investigado.

A estrutura criminosa também contava com divisão de tarefas, recrutamento de vendedores e uso de empresas e pessoas interpostas para ocultar a origem dos recursos obtidos.

Movimentação milionária chamou atenção

As investigações identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos suspeitos. Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), elaborados a partir de comunicações encaminhadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontaram operações consideradas atípicas que somam cerca de R$ 11,543 milhões.

Os documentos indicam fracionamento de valores, intensa circulação de dinheiro e incompatibilidade patrimonial dos investigados, reforçando as suspeitas de lavagem de capitais por meio de empresas de fachada e terceiros.

Investigação começou em 2025

Conforme informações divulgadas pelos responsáveis pela operação, as investigações tiveram início no ano passado e revelaram uma estrutura interestadual voltada à prática de jogos de azar e lavagem de dinheiro.

A Operação Vanitas contou com apoio de equipes especializadas de outros estados e segue em andamento. Novas diligências e análises de material apreendido poderão resultar em novos desdobramentos.