Como polícias de MG e DF desvendaram golpe da falsa garota de programa
Vídeo divulgado por criminoso ameaçando uma das vítimas ajuda a Polícia Civil na identificação dos suspeitos
atualizado
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Belo Horizonte – As polícias civis de Minas Gerais (PCMG) e do Distrito Federal (PCDF) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (20/5), a Operação Eros, que desarticulou um grupo criminoso investigado por aplicar golpes de extorsão conhecidos como “falsa garota de programa”. A ação ocorreu em Montes Claros, no Norte de Minas, e resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.
As investigações começaram em dezembro de 2025, após um casal de Taguatinga, no Distrito Federal, procurar a polícia relatando ameaças de morte. Segundo a apuração, as vítimas acessaram um site de acompanhantes, desistiram do encontro e, logo depois, passaram a receber cobranças de uma suposta taxa de cancelamento, além de mensagens intimidatórias com vídeos de armas de fogo.
O Metrópoles, na coluna Na Mira, mostrou as ameaças que os presos na operação fizeram ao casal.
De acordo com o delegado Diego Flávio Carvalho Pereira, coordenador da Agência de Inteligência do 11º Departamento de Polícia Civil em Montes Claros, as vítimas chegaram a realizar pagamentos aos criminosos.
“Eles desembolsaram inicialmente um valor de mil reais, só que essas exigências passaram a aumentar. Ou seja, o grupo não cessou mesmo com o depósito desses valores”, afirmou o delegado.
A partir das investigações conduzidas inicialmente pela PCDF, a Polícia Civil mineira passou a atuar de forma integrada, identificando dez suspeitos, sendo sete adultos e três adolescentes, todos moradores de Montes Claros.
“Como ocorreu uma preparação muito bem feita por parte da Agência de Inteligência do 11º Departamento, hoje foi uma operação bastante tranquila, porque a gente logrou êxito no cumprimento destes mandados”, destacou.
A polícia também apreendeu celulares dos investigados, que agora passarão por perícia. A expectativa é que os aparelhos revelem novas vítimas e possíveis integrantes da organização criminosa. “O conteúdo deles pode nos levar a mais crimes cometidos por este grupo, mais vítimas e mais suspeitos”, disse o delegado.
Polo do crime em MG
Ainda segundo a Polícia Civil, Montes Claros se tornou um dos principais polos desse tipo de crime em Minas Gerais. Somente no último ano, oito operações semelhantes foram realizadas na cidade.
“Infelizmente, Montes Claros se transformou neste polo. Muitos autores migraram de crimes como tráfico e roubo para o crime digital, vendo facilidade em obter vantagem ilícita e também na dificuldade de apuração”, explicou Diego Pereira.
O delegado revelou ainda números considerados alarmantes pelas autoridades. Em menos de um ano, com oito operações, a PC conseguiu identificar pelo menos 60 envolvidos neste tipo de crime. O número de vítimas também é alarmante: mais de 200 pessoas foram alvos desses grupos criminosos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de extorsão e associação criminosa majorada pela participação de adolescentes. Os sete presos permanecem à disposição da Justiça, enquanto os menores envolvidos terão os casos analisados pela Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal.
A operação mobilizou 22 policiais civis, sendo 15 de Minas Gerais e sete do Distrito Federal.