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Minas Gerais

PF rastreia reuniões da "Turma" de Vorcaro em BH às vésperas de operação

Segundo a investigação, policiais aposentados que integram "A Turma" encontraram com Henrique Vorcaro antes da 3ª fase da Compliance

16/06/2026 15:50
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Polícia Federal/Divulgação
Imagem colorida mostra mulher de costas vestindo colete preto onde está escrito Polícia Federal - Metrópoles

Belo Horizonte — A Polícia Federal reconstituiu uma série de reuniões realizadas em Belo Horizonte nos dias que antecederam a terceira fase da Operação Compliance Zero e apontou que integrantes do grupo conhecido como “A Turma” mantiveram encontros e contatos às vésperas da ação policial.

As informações constam em representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual a PF sustenta que o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder do núcleo, continuava articulando ações com outros investigados ligados ao empresário Daniel Vorcaro e a seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Segundo a investigação, em 1º de março de 2026, Marilson convidou o também policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior para uma conversa reservada em sua residência, localizada na Avenida Assis Chateaubriand, no bairro Floresta, região Leste de Belo Horizonte. Imagens de câmeras de segurança analisadas pela PF mostram que os dois permaneceram por cerca de uma hora e dez minutos conversando sozinhos em uma área isolada do prédio.

No dia seguinte, 2 de março, equipes da Polícia Federal que monitoravam o endereço identificaram uma Range Rover registrada em nome da empresa King Participações Imobiliárias estacionada em frente ao edifício. A investigação aponta que o veículo era utilizado por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela PF como operador financeiro do grupo. Marilson permaneceu aproximadamente uma hora e vinte minutos dentro do automóvel.

De acordo com o relatório, durante o período em que os dois estiveram reunidos ocorreram contatos telefônicos envolvendo Henrique Moura Vorcaro. Para os investigadores, a sequência de ligações reforça a conexão entre os participantes da reunião e os interesses do grupo investigado.

O episódio considerado mais relevante pela PF ocorreu em 3 de março de 2026, um dia antes da deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a representação, Marilson enviou à esposa uma mensagem informando sua localização e afirmando que estava em reunião com uma pessoa identificada apenas pela letra “H” na empresa One Investimentos. A Polícia Federal concluiu que a referência era a Henrique Moura Vorcaro.

Ainda segundo a investigação, após o encontro, Marilson voltou a manter contato com Sebastião Monteiro. Para a PF, a cronologia dos fatos indica que integrantes da organização continuavam se reunindo e trocando informações mesmo após as fases anteriores da Operação Compliance Zero e às vésperas de uma nova ação policial.

Na representação encaminhada ao STF, a Polícia Federal afirma que Henrique Moura Vorcaro continuou demandando serviços do núcleo conhecido como “A Turma” e viabilizando recursos para o grupo mesmo após as primeiras fases da operação. A corporação usa os encontros registrados em Belo Horizonte como um dos elementos para sustentar a continuidade das atividades investigadas.

As conclusões fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Federal e ainda serão analisadas pelo Judiciário.