Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Demétrio Vecchioli

Vorcaro tinha contratos para comprar empresas do pai por R$ 1

Banqueiro mantinha acordos de gaveta com opção de compra de bens do pai por valor simbólico

16/06/2026 14:21, atualizado 16/06/2026 16:20
Compartilhar notícia
Arte Metrópoles
Henrique e Daniel Vorcaro, com uma moeda de um real no meio

Beneficiário efetivo de 80% das empresas de saúde Affiance Life e Simetria Planos, Henrique Vorcaro deu ao filho Daniel Vorcaro a opção de comprar os ativos por R$ 1, se assim o dono do Banco Master desejasse.

A minuta do contrato foi encontrada pelo liquidante do Master nos e-mails pessoais de Vorcaro e embasam o argumento do liquidante perante a Justiça norte-americana de que o pai é um “laranja” do filho. Os dois estão presos – nesta terça-feira (16), o ministro Gilmar Mendes devolveu ao plenário da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de soltura de Henrique Vorcaro.

Os documentos reforçam o que já se suspeitava: que os Vorcaros comandam a Affiance e a Simetria Planos. Para o liquidante, Fernando Alves Vieira e André Beraldo de Morais, que formalmente controlam a Simetria por meio de uma cadeia de empresas, são na verdade “laranjas” de Henrique Vorcaro.

Em outro contrato encontrado entre os e-mails de Vorcaro, pai e filho acordavam que Henrique compraria propriedades em nome de Daniel, por meio de diversos intermediários, e posteriormente as transferiria para o filho, também mediante solicitação e o pagamento de R$ 1.

Em processo no qual tenta reaver nos Estados Unidos bens que estão em nome do pai e da irmã do banqueiro, incluindo uma mansão de US$ 32 milhões na Flórida, o liquidante do Banco Master argumenta que essas transações não foram eventos isolados, mas componentes de um esquema mais amplo, pelo qual Daniel Vorcaro desviou e ocultou ativos do Banco Master por meio de entidades sob seu controle.

“Através dos contratos de opção de compra preliminares descobertos, ficou comprovado que Daniel Vorcaro pretendia deter, direta ou indiretamente, participações correspondentes a pelo menos 50% dos ativos formalmente detidos por Henrique Vorcaro”, diz o liquidante.

Uma dessas formas de desviar ativos do Master para ativos da família teria sido a formalização de empréstimos para empresas de saúde que nunca foram pagos.

Entre 2019 e 2020, de acordo com o liquidante, o grupo utilizou empresas, como a Promed, para tomar pelo menos R$ 170 milhões em créditos com o Master e fundos controlados pelo banco. A investigação aponta que não havia intenção de quitar as dívidas, que serviram para capitalizar as empresas antes de serem vendidas a terceiros.

Em uma dessas transações, Natalia Vorcaro teria atuado esquentando a cadeira para o irmão Daniel: um mês antes da venda do grupo, ela “devolveu” 32% de suas cotas para o banqueiro.