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Minas Gerais

Pacheco se reuniu com dirigente de entidade que fraudou INSS, diz PF

Em relatório, PF acusa ex-presidente do Senado de tratar de nomeação de presidente do INSS. Senador nega tudo

14/07/2026 21:23, atualizado 14/07/2026 22:41
Rafaela Felicciano/Metrópoles
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG)

Belo Horizonte – Em investigação que levou ao indiciamento de 48 pessoas suspeitas de envolvimento em desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a PF diz que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) se reuniu com o presidente de uma entidade suspeita de participação no esquema em 2023 e teria tratado da nomeação da presidência do órgão. O senador não foi indiciado. Ele nega a reunião e diz que não conhece a pessoa citada pela PF.

A suposta reunião teria acontecido em 1º de fevereiro de 2023, quando Pacheco foi eleito presidente do Senado. Segundo a PF, mensagens acessadas pelas investigadores “provam” que o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, se reuniu com Pacheco nessa data “para tratar da nomeação do Presidente do INSS”.

O senador, por meio de nota, negou a existência da reunião. “Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me reuni para tratar de indicação da pessoa de Glauco André Fonseca Wamburg que, aliás, eu sequer sabia que havia sido presidente do INSS. Também nunca fiz indicação alguma para o INSS e não conheço seus diretores e ex-diretores”, diz o texto do senador.

“Parece se estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito. A referência a ir se ‘encontrar com eles’ por certo não me inclui”, concluiu Pacheco.

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Veja a troca de mensagens:

Carlos Lopes é apontado pela PF como um personagem chave do esquema de fraudes a segurados do INSS por meio de descontos ilegais. Ele teria, também segundo as investigações, pagado R$ 14,7 milhões em propinas ao deputado federal Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em MG, para ter acesso a políticos como Pacheco.

Pettersen é indiciado

O deputado Euclydes Pettersen é suspeito de ser uma das peças-chave da articulação a nível parlamentar do esquema de desvios que está sendo investigado. O parlamentar mineiro agiria para a Conafer e teria recebido R$ 14,7 milhões de propina, diz o relatório da PF.

Em nota enviada à reportagem, Euclydes Pettersen negou qualquer participação no esquema.

“Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS. O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa. Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento”, diz a manifestação.

Farra do INSS

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.