Minas Gerais registrou 4.101 casos de estupro de vulnerável em um ano
Levantamento realizado pelo Ministério Público aponta 379 ocorrências somente em BH; 71,6% do território mineiro registraram casos
atualizado
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Belo Horizonte – Minas Gerais registrou 4.101 casos de estupro de vulnerável em um período de um ano, segundo levantamento do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Os dados chamam a atenção para a violência sexual contra crianças e adolescentes no estado, especialmente às vésperas do Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março.
As ocorrências envolvem vítimas com menos de 14 anos e foram contabilizadas entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, com base em registros da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O levantamento mostra que 97,27% dos crimes foram consumados. Em 235 situações, a violência resultou em gravidez.
Em relação às meninas que engravidaram, a promotora de justiça, Graciele Almeida de Rezende disse que os casos estão sendo encaminhados às Promotorias de Justiça para análise individual para garantias de direito e acolhimento.
“Além do trauma causado pelo abuso sexual, essas meninas vivenciam as graves consequências de uma gravidez precoce. É preciso olhar para essas vítimas, garantindo a elas direitos e acolhimento completo, imediato e humanizado. Fomentar a contínua qualificação das redes de proteção para o atendimento de casos similares é também uma prioridade institucional.”
Outro dado preocupante encontrado: mais da metade dos abusos ocorre dentro do próprio círculo de convivência da vítima. Em 52,8% dos casos, o agressor é alguém da família ou uma pessoa próxima.
Locais dos registros
Os registros mostram que ao todo, 611 municípios tiveram registros, o que corresponde a 71,6% do território mineiro. Na região metropolitana de Belo Horizonte, foram notificados 33,8% dos casos. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro, o Sul de Minas e a Zona da Mata. Belo Horizonte lidera com 379 ocorrências. Contagem, Uberaba e Uberlândia também aparecem entre os municípios com maior número de registros.
Para o MPMG, os dados reforçam que o abuso, muitas vezes, acontece em ambientes que deveriam ser de proteção. A proximidade entre vítima e agressor contribui para o silêncio e dificulta a denúncia.
As informações do levantamento foram repassadas a equipes regionais, que atuam diretamente com as redes de proteção, para orientar estratégias de prevenção e combate.
Apesar dos números elevados, o próprio MPMG reconhece que a realidade pode ser ainda mais grave, pois muitos casos não são denunciados por medo, vergonha ou por pressões dentro da própria família. Em algumas situações, o silêncio é imposto pelo agressor, por meio de ameaças ou manipulação emocional.
Esse cenário também afeta meninos, que tendem a denunciar ainda menos, muitas vezes por barreiras culturais.
Acender o alerta
Como nem sempre a vítima consegue relatar o que está acontecendo, mudanças de comportamento podem ser um dos poucos sinais de alerta. Isolamento, tristeza, medo excessivo, queda no desempenho escolar e alterações no sono ou no apetite são alguns indícios. Lesões ou problemas de saúde recorrentes também merecem atenção.
Diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar imediatamente órgãos de proteção, como Conselho Tutelar, Ministério Público, polícia ou serviços de saúde. Especialistas orientam que a escuta da criança seja feita por profissionais capacitados, evitando novos traumas.
Para o Ministério Público, a prevenção passa, principalmente, pela informação. O diálogo dentro de casa e a orientação nas escolas são fundamentais para criar um ambiente de confiança, onde crianças e adolescentes se sintam seguros para pedir ajuda.
