MG lidera ranking de alta de “homicídios ocultos” em 2024, diz Atlas
Atlas da Violência aponta que MG teve alta de 240% nos chamados “homicídios ocultos” entre 2023 e 2024 e liderou crescimento no país

Belo Horizonte — Minas Gerais apareceu no topo do ranking nacional de crescimento dos chamados “homicídios ocultos” em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26/5). O termo é usado para definir mortes violentas que não foram oficialmente registradas como assassinato, mas que têm alta probabilidade de serem homicídios.
O levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que Minas registrou oficialmente 2.731 homicídios em 2024 — queda de 2,3% em relação ao ano anterior.
Apesar disso, o estado teve aumento expressivo nas chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), que somaram 3.112 casos entre 2023 e 2024. Esse tipo de registro acontece quando a morte é claramente violenta, como em casos de tiros ou agressões, mas sem definição sobre a intenção do ato.
Ou seja: o sistema não consegue concluir se houve homicídio, suicídio ou acidente.
O que são os “homicídios ocultos”
Com base em critérios estatísticos, os pesquisadores estimaram que 1.218 dessas mortes em Minas eram, na verdade, homicídios que ficaram “escondidos” nas estatísticas oficiais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO número representa crescimento de 240,2% em relação a 2023 — o maior aumento do país.

A metodologia considera fatores como idade e sexo da vítima, local da ocorrência e instrumento utilizado na morte para calcular a probabilidade de o caso ter sido um assassinato.
Quando esses homicídios estimados são somados aos oficialmente registrados, Minas passa de 2.731 para 3.949 homicídios em 2024.
Nesse cenário, o estado deixa de apresentar queda e passa a registrar aumento de 25,2% nas mortes — também o maior crescimento do Brasil, segundo o Atlas.
O que pode explicar a diferença
O estudo aponta duas hipóteses principais que podem “mascarar” o aumento dos homicídios em Minas, como falhas na troca de informações entre os sistemas da Saúde e da Segurança Pública e dificuldade das polícias em esclarecer a motivação de parte das mortes violentas.
Com isso, assassinatos podem acabar classificados apenas como mortes violentas sem causa definida.


