Luta contra “governança criminal” em BH tem 50 presos em um mês
Ação que uniu polícias de Minas e a PF buscou desorganizar o crime em um momento em que a guerra de facções já impacta na população de BH
atualizado
Compartilhar notícia

Belo Horizonte – A intensificação das disputas entre facções criminosas na capital mineira e região, que provoca violência e impacta na população, está tendo como resposta um esforço concentrado que já resultou em cerca 50 prisões desde o início de abril. A operação integrada tenta desestruturar as quadrilhas e reduzir junto crimes como tráfico, roubos e furtos.
Trata-se de um esforço do Estado contra o que o capitão da PM mineira Rafael Veríssimo chamou de “governança criminal” em locais conflagrados como a Pedreira Prado Lopes (PPL), região Noroeste de Belo Horizonte, onde foram presos 7 suspeitos ligados ao tráfico de drogas entre a madrugada e a manhã de quarta (29/4).
“Quem controla o território é o Estado. Essas facções disputam pontos de venda de drogas, ameaçam e reprimem moradores das comunidades e nossa atuação é impedir que isso se amplie e afete ainda mais o meio social”, afirmou Veríssimo ao Metrópoles. “Temos que impedir que isso possa ser escalonado”, completou ele.
Essa operação iniciada em 2 de abril, na capital, em Contagem e outras cidades da região Metropolitana; une esforços de vários níveis das forças de segurança locais e federais: Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Polícia Civil (PCMG), Polícia Federal (PF) e Polícia Penal.
Na operação desta quarta, mandados de prisão foram cumpridos em pontos estratégicos da região, como o Beco do Fi e a região da Maloquinha, áreas marcadas pela disputa entre facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), e Comando Vermelho (CV).
Números da operação
De acordo com a PMMG, já foram presos 43 criminosos até a véspera da ação principal, sendo 31 capturados por mandados de prisão e outros 12 em flagrante. Apenas no “Dia D”, foram registradas sete novas prisões (6 por mandado de prisão e um em flagrante), elevando o total para cerca de 50 detidos — número que ainda pode crescer com o andamento das diligências.

Material do tráfico apreendido na PPL
Durante as ações desta quarta-feira, também foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão. Os agentes conseguiram apreender um revólver calibre .32, 56 munições, 104 porções de maconha, 82 pinos de cocaína e comprimidos de ecstasy. Além disso, dois veículos com registro de furto/roubo e um carro clonado foram recuperados. Uma carga com mais de 10 mil maços de cigarro furtados foi apreendida.
As investigações apontam que a região vive um cenário de tensão desde 2025, com disputas entre facções como o PCC e CV pelo ponto conhecido como “Buraco Quente”, o que tem gerado episódios de violência e preocupado moradores. Também no ano passado, véspera de Natal, três homens foram baleados na PPL na guerra entre as duas facções.
A expectativa das autoridades é que a operação contribua para reduzir os índices de criminalidade e fortalecer a presença do Estado na comunidade, assim como vem sendo feito em outras áreas da capital, como o Aglomerado da Serra.
Outras guerras por BH
Além da PPL – alvo da operação desta quarta – Belo Horizonte tem outros pontos de atenção, como o Aglomerado da Serra e Morro das Pedras, na região Centro-Sul, e a Vila Cemig, na região do Barreiro.
A comunidade da Vila Cemig, como noticiado pelo Metrópoles, está passando por momentos de tensão nos últimos dias. Mensagens atribuídas a traficantes de facções em conflito têm circulado intensamente pelo WhatsApp, assustando os moradores.
Na segunda-feira (27/4), uma mensagem do grupo intitulado “Demônios da Vila Cemig – UDC” contra o Comando Vermelho (CV), facção criminosa do Rio de Janeiro, chamou a atenção.
O texto, os criminosos pedem perdão à comunidade pelo “cenário de guerra” e dizem que o grupo dos Demônios da Vila Cemig estaria “cansado de ver moradores sofrendo covardia pelo CV dentro da comunidade, tomando casas, fazendo moradores pagar por perda deles”.
As autoridades mineiras dizem que estão monitorando a situação e investigando a autoria das mensagens.












