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Minas Gerais

Inverno: BH registra maior temperatura para agosto desde 1961

Capital mineira bateu recorde para o mês; após calorão, temperatura máxima deve cair 9°C nesta terça-feira (11/8)

10/08/2026 15:42, atualizado 10/08/2026 15:49
Felipe Couri
Foto colorida de mulher com sombrinha se proegendo do sol - Metrópoles

Belo Horizonte – A capital mineira registrou, nesta segunda-feira (10/8), a maior temperatura (34,4°C) para o mês de agosto desde 1961. A informação foi confirmada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

“Ontem e hoje, a temperatura chegou a 34,4°C na estação da Pampulha. Temos dados digitalizados desde 1961”, disse Lizandro Gemiacki, meteorologista do Inmet.

A estação convencional de Santo Agostinho, na região Centro-Sul, marcou 33,8°C, igualando o valor registrado em 1963, até então a maior temperatura registrada em um mês de agosto na capital.

Além do calorão, a Defesa Civil emitiu um alerta informando que uma massa de ar seco mantém os índices de umidade relativa do ar em torno de 20% durante a tarde, até as 18h.

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices entre 20% e 30% representam estado de atenção, enquanto valores abaixo de 20% caracterizam estado de alerta. O nível considerado ideal para o organismo humano fica entre 40% e 70%.

Calorão no inverno?

De acordo com Gemiacki, meteorologista do Inmet, não é possível atribuir as temperaturas elevadas a uma única causa. Nos últimos dias, a passagem de frentes frias contribuiu para manter os ventos predominantemente de norte e noroeste, favorecendo o transporte de ar quente do centro do Brasil em direção ao Sudeste.

A esse cenário se soma a influência do El Niño (entenda aqui o que é o fenômeno e como ele pode afetar o país), que, segundo Gemiacki, já está ativo e apresenta intensidade significativa para esta época do ano. O meteorologista ressalta, porém, que não é possível determinar isoladamente quanto do calor registrado em Minas é provocado pelo fenômeno.

“É difícil a gente dizer se há influência do El Niño ou se é uma coisa mais local, de sistemas meteorológicos, mas tudo indica que são efeitos que se somam. Então, a gente tem essa característica de circulação dos sistemas meteorológicos transientes, que são esses que passam frequentemente pela região, e também a influência do El Niño, que já está ativo e relativamente intenso para essa época”, disse.

Gemiacki lembra que Minas Gerais enfrentou uma situação semelhante em agosto de 2023, ano que também teve atuação do El Niño. Naquela ocasião, porém, o calor mais intenso ocorreu mais perto do fim do mês e algumas cidades chegaram a registrar recordes de temperatura máxima.

“Algumas cidades tiveram, em 2023, quando houve efeito do El Niño, temperaturas semelhantes em agosto, mas mais para o final de agosto. Várias cidades registraram recordes de temperatura máxima. Então, não é muito comum, não dá para dizer que é comum, mas pode ser um somatório de várias condições”, afirmou.

A presença do fenômeno também pode ter reflexos nos próximos meses. Segundo o meteorologista, ainda não é possível afirmar que toda a primavera e o verão terão temperaturas muito acima da média, mas a atuação do El Niño aumenta a probabilidade de períodos mais quentes.

“É mais provável que as temperaturas sejam elevadas na primavera e no verão do que sejam normais ou abaixo da média. Então, a princípio, a chance de serem temperaturas elevadas aumenta muito com a atuação do El Niño”, explicou.

Calor dá trégua

Antes disso, porém, o calor deve dar uma trégua  já nesta terça-feira (11/8). A entrada de ar mais frio e úmido vindo do oceano deve derrubar as temperaturas e elevar os índices de umidade, principalmente nas regiões Central e Leste do estado.

Em Belo Horizonte, a mudança será significativa. Depois de uma máxima prevista de 35°C nesta segunda-feira, os termômetros não devem passar dos 26°C na terça, uma queda de 9°C de um dia para o outro.

“A situação nesta semana é a seguinte: tivemos a rápida passagem de uma frente fria pelo litoral da Região Sudeste. Essa frente fria já se afastou pelo oceano, mas o sistema de alta pressão pós-frontal vai provocar a entrada de ar mais frio e o aumento da nebulosidade, principalmente nesta terça (11/8) e quarta-feira (12/8). Com isso, devemos ter uma queda nas temperaturas. Aqui na capital, estamos prevendo máxima de 26°C nesta terça”, explicou Gemiacki.