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Minas Gerais

Indígenas Maxakali ficam sem água e comida em MG após uma semana de fogo

Ministério Público cobra medidas emergenciais da Prefeitura de Bertópolis após incêndio atingir mais de 800 hectares na terra indígena

16/10/2026 11:49
MPMG/ Divulgação
Indígenas Maxakali cobram ajuda após fogo atingir 800 hectares em MG

Belo Horizonte – Indígenas do povo Maxakali ainda aguardam, nesta sexta-feira (16/10), o fornecimento de água potável, alimentos e atendimento médico às famílias atingidas pelo incêndio que começou há quase uma semana na Terra Indígena Maxakali, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais.  A informação foi confirmada ao Metrópoles por fontes na região.

Medidas de socorro aos indígenas em meio ao incêndio foram recomendadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) à Prefeitura de Bertópolis, que deverá garantir a assistência emergencial às famílias afetadas pelo fogo.

O fogo já atingiu uma área estimada em mais de 800 hectares, e há relatos de famílias indígenas sem acesso à água potável e a alimentos.

Antes da recomendação, a prefeitura informou ao MPMG que não possui caminhões-pipa nem equipes preparadas para combater o incêndio e que aguarda ajuda dos governos estadual e federal. Segundo o Ministério Público, o município não comprovou ter adotado medidas próprias para atender as famílias, embora tenha decretado calamidade pública, o que permite contratações emergenciais.

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Cestas, agasalhos, atendimento médico

O MPMG recomendou que a prefeitura forneça água potável de forma contínua e distribua cestas básicas, kits de higiene e agasalhos em até 24 horas, com prioridade para famílias com crianças, gestantes, idosos e pessoas com deficiência.

Também pediu atendimento médico às vítimas, apoio às equipes que combatem o fogo e a criação de um grupo de resposta à emergência, com participação de órgãos públicos e lideranças indígenas.

Os incêndios

Nessa quinta, o Corpo de Bombeiros disse que o incêndio principafoi extinto, mas ainda havia dois focos ativos nas localidades de Água Boa e Pradinho. A operação, iniciada no dia 11 de outubro, mobilizava 19 bombeiros, seis policiais militares, nove brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovávei (Ibama) e voluntários indígenas do povo Tikmũ’ũn-Maxakali.

Marilton Maxakali, professor da aldeia Pradinho e coordenador da brigada voluntária indígena, relata que o fogo começou em uma fazenda e se espalhou pelo território, destruindo plantações, quintais e áreas de mata nativa. Segundo ele, a comunidade tentava recuperar a vegetação, mas parte do trabalho foi perdida.

“E nós Maxakali estamos muito tristes nesse momento, porque tem fogo grande, né? E a gente, brigada voluntária, tentando combater, né? Mas nós não conseguimos”, lamentou.

O indígena também relata que crianças, adultos e idosos estão sofrendo com a fumaça e pede atendimento médico. Ele conta que machucou um dedo durante o combate e que moradores estão tossindo e com dificuldades para respirar.

“A gente estava tentando reflorestar nossa terra, e tudo estava crescendo. Mas o fogo acabou com a nossa mata nativa, com o que plantamos nos quintais e nas roças. Tudo acabou”, lamentou.

Pedido de ajuda 

Em setembro deste ano, indígenas do povo Maxakali já haviam pedido ao governo federal o reconhecimento oficial da Brigada Voluntária Mãtanãg Kõnãnghi, criada em novembro de 2024 para combater incêndios.

No documento, os brigadistas pedem ao Ibama a contratação de integrantes da equipe, além de equipamentos, veículos e ferramentas. Também solicitam apoio para criar uma brigada na Aldeia Escola Floresta, onde incêndios já destruíram plantações.

Segundo os indígenas, a falta de estrutura dificulta o combate ao fogo e ameaça os esforços de recuperação da vegetação. Até o momento, aguardam um retorno do órgão.

Crise humanitária

Em julho deste ano, a Justiça Federal já havia determinado medidas urgentes para enfrentar a crise humanitária vivida pelo povo indígena Maxakali. A decisão, tomada após uma ação do Ministério Público Federal (MPF), obrigou os governos federal e estadual e quatro prefeituras da região a garantir água potável, alimentação e atendimento de saúde às comunidades.

A gravidade da situação aparece nos números apresentados pelo MPF. A mortalidade infantil entre os Maxakali chega a 66,7 mortes por mil nascidos vivos, quase quatro vezes a taxa registrada entre a população não indígena da região. Entre crianças de 1 a 4 anos, o risco de morte é 30 vezes maior, principalmente por doenças que poderiam ser evitadas, como diarreia, infecções e desnutrição grave.

A Justiça também apontou a falta de atendimento médico contínuo, as dificuldades de acesso à água e a necessidade de garantir ambulâncias para transportar pacientes graves.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura da cidade, com o MPMG e com o Ibama e aguarda um retorno.