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Minas Gerais

Gás, tomadas e descuidos: bombeiros dão dicas para evitar incêndios

Corpo de Bombeiros alerta para riscos com gás, eletricidade e hábitos comuns que podem terminar em tragédia

Repórter de Minas Gerais14/06/2026 01:00, atualizado 12/06/2026 21:56
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Corpo de Bombeiros MG/Divulgação
Bombeiro apaga incêndio em residência

Belo Horizonte — Um cheiro de gás ignorado, uma extensão sobrecarregada, um celular carregando em cima da cama ou uma vela esquecida podem ser suficientes para provocar um incêndio em poucos minutos. Em Minas Gerais, os números mostram que o perigo está mais presente do que muitos imaginam.

Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) revelam que 525 pessoas ficaram feridas em 11.516 ocorrências de incêndio e explosão registradas no estado em 2025, uma média superior a uma vítima por dia.

Durante a campanha Junho Laranja, voltada à prevenção de queimaduras, os bombeiros reforçam que grande parte desses acidentes pode ser evitada com medidas simples de segurança.

Em entrevista, o tenente Elias Cristovam destacou que os principais atendimentos envolvendo incêndios e explosões estão relacionados a falhas elétricas e vazamentos de gás.

“Os principais atendimentos de ocorrência de incêndio e explosão estão relacionados principalmente a fenômenos elétricos, como curto-circuito ou sobrecarga de tomadas, e também a vazamentos de GLP, o gás de cozinha”, explicou.

Segundo ele, pequenos descuidos do cotidiano podem resultar em ocorrências graves.

“Também temos acidentes causados por fatores aparentemente simples, como esquecer uma vela acesa ou deixar uma luminária sobre um colchão. Tudo isso pode iniciar um incêndio.”
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Os exemplos se repetem em diferentes regiões de Minas.

Na BR-365, em Patrocínio, um caminhão carregado com 31 toneladas de borracha de pneus foi completamente destruído pelas chamas após apresentar sinais de problemas elétricos. O combate ao fogo mobilizou bombeiros por cerca de sete horas e consumiu aproximadamente 55 mil litros de água.

Já em Timóteo, um Chevrolet Camaro pegou fogo após o motorista perceber fumaça saindo da parte dianteira do veículo. Apesar da tentativa de conter o incêndio com extintores, o automóvel acabou totalmente tomado pelas chamas.

Em Belo Horizonte, uma moradora precisou ser resgatada após um incêndio atingir seu apartamento no bairro Castelo. Ela inalou fumaça e precisou de atendimento médico.

Para o tenente Elias Cristovam, esses episódios reforçam a necessidade de atenção aos sinais de risco.

“Aquele cheiro de borracha queimada ou de material queimando pode indicar uma falha elétrica capaz de precipitar um incêndio. Disjuntores desarmando com frequência e tomadas aquecidas também são sinais importantes que não podem ser ignorados.”

Vazamento de gás pode terminar em explosão

Outro alerta importante do Corpo de Bombeiros envolve o gás de cozinha. Segundo o tenente, qualquer cheiro característico de gás deve ser investigado imediatamente. “A primeira coisa é verificar sempre a estanqueidade do botijão e das instalações. Aquele cheiro característico de gás, quando é detectado, precisa ser investigado para identificar a causa.”

Ele orienta atenção especial durante a troca do botijão. “É fundamental verificar a integridade das válvulas, das mangueiras e conferir se está tudo bem apertado e sem vazamentos.”

O militar lembra ainda que muitas pessoas desconhecem que a mangueira precisa ser certificada pelo Inmetro e possui prazo de validade de cinco anos. “Essa informação está impressa no próprio material e deve ser observada”, destacou.

Outro erro frequente é posicionar a mangueira atrás do fogão. “Passar a mangueira atrás do fogão pode provocar danos mecânicos e aquecimento. Isso pode causar rompimento e resultar em vazamento de gás, incêndio ou até explosão.”

Em caso de vazamento de gás, saia imediatamente

Quando houver suspeita de vazamento de gás, a prioridade é deixar o imóvel. “O primeiro passo é evacuar o local.”, alertou. Segundo o tenente, se houver segurança para isso, portas e janelas devem ser abertas para ventilação.

“Se possível, do lado de fora da residência, desligue a chave geral de energia. Equipamentos elétricos podem gerar faíscas que provocam a ignição do gás e causam uma explosão.”

Bombeiro apaga incêndio em residência
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As gambiarras elétricas que podem causar tragédias

O uso excessivo de benjamins, extensões e adaptadores também preocupa os bombeiros.

“A utilização de extensões e adaptadores representa risco de incêndio a qualquer momento. Eles podem direcionar uma demanda de corrente muito maior para um ponto que não foi projetado para suportar aquela carga.”

O resultado é o superaquecimento da instalação que tende a evoluir para um curto-circuito ou para um princípio de incêndio.

Outra prática perigosa é trocar um disjuntor por outro mais potente sem adequar a rede elétrica. “Se o disjuntor está desarmando com frequência, significa que existe algum problema na instalação. O disjuntor é um dispositivo de segurança. O correto é investigar a causa e não simplesmente instalar outro de maior capacidade.”

Celular carregando na cama é um erro comum

Entre os comportamentos mais frequentes observados pelos bombeiros está o hábito de carregar celulares sobre superfícies inflamáveis.

“É muito comum as pessoas dormirem com o celular carregando debaixo do travesseiro. Isso é um erro muito comum.”

Segundo o tenente, baterias podem sofrer superaquecimento durante a recarga. “O celular pode apresentar um fenômeno chamado fuga térmica, que é uma espécie de explosão da bateria. Ele pode superaquecer e causar fogo.”

Por isso, a recomendação é simples: “Carregá-lo sempre sobre um material incombustível, como o piso. Eu mesmo sempre carrego meu celular no chão”, revela o militar.

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Um incêndio pode se espalhar em apenas dois minutos

Um dos alertas mais impressionantes feitos pelo oficial é sobre a velocidade de propagação das chamas.

“Um incêndio, desde uma vela que cai sobre um sofá até tomar toda aquela sala, leva cerca de dois minutos. A evolução é muito rápida.”

Por isso, ele ressalta que prevenção e autoproteção salvam vidas. “A conduta preventiva é crucial para evitar danos maiores e garantir a sobrevivência das pessoas.”


7 dicas dos bombeiros para agir em caso de incêndio

1. Mantenha a calma e avalie a situação
Se for apenas um princípio de incêndio e houver treinamento adequado, o combate inicial pode ser tentado com segurança.

2. Não tente ser herói
“A vida é maior do que qualquer bem. Não vale a pena se colocar em risco para salvar objetos.”

3. Feche portas ao sair
“Se não for possível combater o fogo, feche a porta do cômodo. Ela funciona como uma barreira importante contra a propagação das chamas e da fumaça.”

4. Acione imediatamente o Corpo de Bombeiros
Ligue para o 193 assim que identificar a emergência.

5. Nunca utilize elevadores
“A energia pode acabar e a fumaça pode se acumular dentro do elevador. Sempre utilize as escadas.”

6. Em ambientes com fumaça, fique próximo ao chão
“O ar respirável tende a permanecer na parte inferior do ambiente. A fumaça ocupa a região superior.”

7. Se estiver preso, vá para um cômodo ventilado
“Feche todas as portas no caminho e permaneça próximo a uma janela para pedir socorro. Evite banheiros, pois geralmente não são ventilados.”


Prevenção continua sendo a melhor proteção

Ao final da entrevista, o tenente Elias Cristovam reforçou a principal mensagem da campanha Junho Laranja.

“Os incêndios e explosões acontecem diariamente em Minas Gerais. Muitas vezes parecem distantes da nossa realidade, mas o Corpo de Bombeiros atende ocorrências todos os dias.”

E concluiu:

“A mensagem principal é seguir as dicas preventivas e evitar incêndios. Mas, se acontecer, lembre-se de que a vida é mais importante do que qualquer bem material. Deixe o local imediatamente e acione o Corpo de Bombeiros pelo 193.”