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Minas Gerais

Fim da 6x1 exigirá rever programas sociais, afirma presidente da Fiemg.

Presidente da Fiemg é crítico ao fim da escala 6x1 e diz que o país vai ficar mais pobre. Veja entrevista

20/10/2026 02:00

Belo Horizonte – O fim da escala 6×1 exigirá mudanças nos programas sociais para permitir que beneficiários ingressem no mercado de trabalho sem perder imediatamente os auxílios, propõe o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.

Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou que as atuais regras afastam parte da população do emprego formal e podem agravar a falta de mão de obra que ele prevê que será agravada com a redução da jornada semanal aprovada pelo Senado na última semana.

“Se não houver uma mudança, pelo menos na sistemática dos programas de assistência, fazendo com que esses programas permitam que as pessoas que estão neles possam trabalhar, nós vamos ter um desabastecimento de alguns produtos e serviços”, declarou o representante da indústria mineira.

Roscoe disse que trabalhadores evitam procurar emprego para não perder os benefícios.

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Veja a íntegra da entrevista de Flávio Roscoe ao Metrópoles:

A Emenda Constitucional promulgada pelo Congresso reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial, e garante duas folgas remuneradas. Para Roscoe, a combinação entre menos horas trabalhadas e escassez de profissionais reduzirá a oferta de produtos e serviços, pressionará os preços e diminuirá o poder de compra. “A população toda vai ficar mais pobre”, afirmou.

Na avaliação do presidente da Fiemg, os primeiros efeitos devem aparecer nos serviços, setor em que a mão de obra tem maior participação nos custos e a concorrência externa é menor. Ele prevê que empresas como restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos intensivos em trabalhadores repassarão despesas aos consumidores ou elevarão preços para limitar a demanda diante de uma oferta menor.

O que fazer agora

Roscoe afirmou que a Fiemg orientará as empresas na elaboração de novas escalas e na redução dos riscos jurídicos durante a adaptação. A entidade também defenderá maior adoção de tecnologia para que os negócios diminuam a dependência de mão de obra. Segundo ele, porém, a automação tem limites e não resolverá, no curto prazo, a necessidade de formar profissionais para diferentes atividades.

A Fiemg também pretende buscar regras que preservem a jornada 12×36, utilizada em hospitais, serviços públicos e indústrias que funcionam durante 24 horas. Roscoe considera curto o período de transição e afirma que a mudança exigirá ajustes na legislação e em acordos coletivos para evitar dificuldades na manutenção de plantões e turnos contínuos.