Entenda projeto aprovado em 1º turno que quer revitalizar centro de BH
Proposta cria incentivos fiscais e flexibiliza regras para atrair moradores e investimentos, mas ainda é alvo de polêmica na Câmara de BH
atualizado
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Belo Horizonte — A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em 1º turno, o projeto que cria novas regras para revitalizar a região central da capital mineira. O texto foi apoiado por 33 parlamentares, enquanto cinco foram contrários à iniciativa.
A proposta aposta em incentivos fiscais e mudanças urbanísticas para atrair moradores, empresas e investimentos privados para áreas hoje marcadas por imóveis vazios, degradação e perda de atividade econômica.
O texto ainda não é definitivo: antes de virar lei, precisa passar por análise nas comissões e por uma segunda votação no plenário.
O que diz o projeto
A proposta institui uma Operação Urbana Simplificada (OUS) voltada à recuperação do centro de BH e de bairros do entorno.
Esse tipo de instrumento urbanístico permite ao poder público criar condições especiais — como benefícios fiscais e flexibilização de regras — para estimular o desenvolvimento de determinadas regiões.
No caso de Belo Horizonte, o foco é reocupar áreas centrais que perderam moradores ao longo dos anos e hoje concentram imóveis subutilizados.
O que muda na prática
O projeto traz um pacote de medidas para incentivar a transformação da região central:
- Isenção ou redução de impostos, como IPTU e ITBI, para imóveis requalificados
- Flexibilização de parâmetros urbanísticos, permitindo maior altura de prédios
- Incentivo ao retrofit, com reaproveitamento de edifícios antigos
- Facilitação para mudança de uso de imóveis, como transformar prédios comerciais em residenciais
- Criação de mecanismos para atrair investimento privado
A estratégia segue uma lógica já adotada em outras cidades: aumentar a presença de moradores no centro para dinamizar comércio, serviços e circulação de pessoas.
Onde o projeto vale
A área de abrangência inclui o hipercentro e bairros tradicionais da região central, como:
- Floresta
- Lagoinha
- Santa Efigênia
- Barro Preto
- Bonfim
- Carlos Prates
- Concórdia
- Boa Viagem
- Colégio Batista
Quantas moradias podem ser criadas
Um dos principais objetivos do projeto é ampliar a moradia no centro. De acordo com o projeto, a estimativa é de até 17 mil novas unidades habitacionais ao longo de cerca de 12 anos.
Parte dessas moradias deve ser destinada à população de menor renda, mas esse ponto ainda é alvo de debate. Vereadores defendem ampliar a cota de habitação popular para evitar que apenas empreendimentos de médio e alto padrão ocupem a região.
Por que o projeto é polêmico
A proposta foi aprovada com ampla maioria, mas enfrentou resistência. Entre as principais críticas levantadas por parlamentares e especialistas estão:
- Risco de gentrificação, com expulsão de moradores de baixa renda
- Possível aumento no preço dos imóveis e aluguéis
- Impacto na infraestrutura urbana, como trânsito, transporte e serviços públicos
- Falta de debate mais amplo com a população antes da votação
Há também questionamentos sobre se os incentivos fiscais podem reduzir a arrecadação do município.
Argumentos favoráveis
Defensores do projeto afirmam que a proposta é necessária para enfrentar o esvaziamento do centro. Entre os principais argumentos estão:
- Reocupação de imóveis abandonados ou degradados
- Redução de deslocamentos, com mais pessoas morando perto do trabalho
- Estímulo à economia local, com aumento do fluxo de pessoas
- Maior segurança urbana com áreas mais ocupadas
