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Eleições 2026Minas Gerais

Enquanto Nikolas e Janones duelam, Cleitinho preserva futuro governo

Na reta final da campanha, em Minas, Flávio tenta manter vantagem do 1º turno e Lula busca virada

23/10/2026 02:00
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Senador e governador eleito de MG, Cleitinho (Republicanos)

Belo Horizonte — A reta final da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) colocou dois deputados mineiros na linha de frente da campanha presidencial. De lados opostos, Nikolas Ferreira (PL) e André Janones (Rede) comandam mobilizações nas ruas e nas redes e são os principais cabos eleitorais de seus aliados. Já o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), dosa o apoio a Flávio e tenta se preservar, já visando os desafios de seu futuro governo.

Cleitinho não esconde seu apoio ao candidato do PL, mas não faz campanha aberta. Não esteve ainda com Flávio presencialmente no estado que vai governar.

Nikolas atravessa a campanha sob a desconfiança de setores do próprio bolsonarismo, mas saiu do primeiro turno fortalecido. Reeleito com votação recorde, o deputado se consolidou como um dos principais aliados de Flávio em Minas, onde o candidato do PL venceu Lula por cerca de 600 mil votos. Desde então, ampliou sua participação na campanha e passou a acompanhar agendas também fora do estado.

Os “bloquinhos” organizados por Nikolas ganharam escala nacional e se tornaram uma das principais apostas da campanha de Flávio para mobilizar a militância. O formato, inicialmente explorado em Minas, foi levado a outros estados e adaptado por aliados.

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Neste sábado (24/10), véspera da eleição, Nikolas volta a comandar um ato com o presidenciável em Belo Horizonte, numa resposta direta à mobilização realizada por Lula na capital mineira na quarta (21/10).

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Nikolas Ferreira
Janones e Lula
Flávio Bolsonaro (PL)
Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG)
André Janones
Cleitinho Azevedo
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Cleitinho Azevedo

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Nikolas Ferreira
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Nikolas Ferreira

Reprodução/Instagram
Janones e Lula
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Janones e Lula

Reprodução
Flávio Bolsonaro (PL)
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Flávio Bolsonaro (PL)

Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro
Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG)
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Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG)

Geraldo Magela/Agência Senado
André Janones
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André Janones

Guilherme Bianchi/Metrópoles

Janones montou seu exército

Janones fez o caminho inverso. Depois de passar boa parte da eleição afastado do núcleo principal da campanha petista, o deputado cavou espaço na reta final. Sua entrada ocorreu em meio a cobranças antigas para que Lula abandonasse uma comunicação considerada excessivamente institucional e adotasse uma linguagem mais rápida, agressiva e adaptada às redes sociais.

O principal instrumento dessa mudança foi o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. A iniciativa, que terminou o primeiro turno com alcance ainda restrito, cresceu para mais de 8 milhões de inscritos e passou a orientar apoiadores sobre conteúdos, buscas, hashtags e formas de enfrentar a campanha adversária.

No ato realizado em Belo Horizonte na quarta-feira (21/10), Lula abraçou publicamente a estratégia, pediu novos seguidores para o canal e colocou Janones definitivamente no centro da campanha digital.

Nikolas tenta ocupar espaço

A reação veio com a “Tropa do Flávio”, canal impulsionado por Nikolas. Os dois grupos disputam inscritos, engajamento e o domínio das conversas digitais, além de trocarem denúncias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A campanha de Flávio acusa Janones de coordenar ações para manipular buscas e hashtags; o grupo de Lula, por sua vez, já acionou a Justiça contra conteúdos falsos divulgados pelo canal adversário.

A cautela de Cleitinho

Enquanto os dois deputados se expõem, Cleitinho mantém posição mais cautelosa. O governador eleito declarou voto em Flávio, reafirmou sua ligação com a direita e gravou conteúdo de apoio ao candidato, mas a participação do governador eleito na campanha tem sido mais discreta do que a de Nikolas, embora ele tenha reiterado que não será aliado político de Lula.

A cautela também aparece na montagem do futuro governo. Lucas Vieira Lopes, presidente da Associação Mineira de Municípios e integrante da equipe de transição, declarou voto em Lula.

Ao mesmo tempo, aliados de Nikolas reivindicam espaço na próxima administração, mas ainda não estão em sintonia com Cleitinho.

Cleitinho chega, assim, aos últimos dias da eleição tentando conciliar compromissos diferentes. Precisa demonstrar fidelidade ao campo político que o ajudou a chegar ao governo, mas também sabe que dependerá do próximo presidente para negociar a dívida de Minas e destravar recursos federais.

Enquanto Janones e Nikolas travam a batalha por Lula e Flávio, o governador eleito procura não chegar a janeiro tão ligado a nenhum dos dois lados.