
Disputa na esquerda: Kalil desidrata campanha de Patrus em Minas
Federação PSol-Rede tem racha após diferenças sobre qual candidato deve ser apoiado na disputa ao governo de Minas

Belo Horizonte – O Partido dos Trabalhadores (PT) mineiro vem passando por uma instabilidades com alianças que pareciam certas em Minas Gerais. A última, divulgada nesta segunda-feira (10/8), é uma tensão interna na federação PSol-Rede na qual uma parte defende que o grupo apoie a candidatura ao governo mineiro do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao invés do deputado federal Patrus Ananias (PT).
A Rede entende que, por ter a maioria dos integrantes da federação em Minas, a votação orientou que o apoio fosse ao pedetista.
Já o PSol de Minas argumenta que vai recorrer à direção nacional, onde tem mais força, alegando, entre outras coisas, que estar na mesma base do PSDB de Aécio Neves vai contra o que o partido construiu.
O que está acontecendo
- Racha no PSol-Rede: a Rede, majoritária na federação em Minas, aprovou o apoio a Alexandre Kalil. O PSol defende Patrus Ananias e pretende recorrer à direção nacional.
- Chapa ao Senado ameaçada: Áurea Carolina havia sido anunciada como candidata ao Senado na chapa de Patrus. Se a federação apoiar Kalil, ela poderá ter de concorrer de forma independente.
- Resistência dentro do PSB: o partido aderiu a Patrus após uma articulação da direção nacional e de Rodrigo Pacheco. Parte dos candidatos pessebistas preferia Kalil, uma candidatura própria ou até uma aliança com Mateus Simões.
- Kalil aparece à frente de Patrus: nas pesquisas divulgadas até agora, o ex-prefeito de BH costuma ocupar a segunda posição, atrás de Cleitinho. Patrus aparece mais distante do líder.
- Frente ampla não saiu do papel: antes de Patrus, Lula apostou em Rodrigo Pacheco para reunir partidos de esquerda e de centro. Com a desistência do senador, o PT lançou um nome próprio, mas continua enfrentando dificuldades para ampliar a aliança.
A situação, porém, demonstra que o projeto do PT está com dificuldade para unir aliados. Primeira opção para ser palanque de Lula em Minas, o senador Rodrigo Pacheco (PSB) recuou da aventura justamente por esse motivo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA situação também pode afetar a candidatura da ex-deputada federal Áurea Carolina (PSol), que foi anunciada, junto da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), como uma das candidatas ao Senado na chapa petista. Agora, tudo está reaberto.
Se o apoio a Kalil for mantido pela federação PSol-Rede, Áurea deverá manter uma campanha de forma independente. Já sobre o apoio à disputa presidencial, tanto a federação PSol-Rede, quanto o PDT defendem voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Kalil, porém, não pretende oferecer a Lula seu palanque em Minas.
Aliança coercitiva com o PSB
O PSB está apoiando Patrus, mas a aliança só foi firmada após determinação da direção nacional da legenda e do apoio de lideranças, como o senador Rodrigo Pacheco, que chegou a telefonar para o ex-procurador de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior para que ele entrasse na campanha.
Parte dos filiados, os chamados “candidatos municipalistas”, grupo que reúne ex-prefeitos e prefeitos pessebistas, eram contrários à aliança com o PT. Alguns defendiam apoio a Kalil, candidatura própria e até havia os que defendiam estar no palanque do governador Mateus Simões (PSD).
Nas pesquisas eleitorais divulgadas até agora, Kalil pontua melhor que Patrus, conseguindo a segunda colocação na maioria dos levantamentos, mas bem atrás do líder Cleitinho Azevedo.







