Deboche em pelourinho: Mariana aposta em conscientização, não punição. Assista

Grupo fez encenações e falas sobre escravidão em monumento histórico de Mariana, na região Central, em abril; caso gerou indignação nas rede

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

YouTube video player

Belo Horizonte – A cidade histórica mineira de Mariana não quer mais virar notícia por causa de piadas sobre o período da escravidão. Após a viralização de vídeo nas redes sociais mostrando um grupo de turistas encenando gestos que remetem à tortura de pessoas negras escravizadas no antigo pelourinho da cidade, a prefeitura local preparou e encaminhou ao setor de Patrimônio Cultural o esboço de proposta com o objetivo de fortalecer a comunicação na área. A proposta será submetida ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural.

“O objetivo é elaborar medidas voltadas à orientação do público e ao fortalecimento da comunicação sobre a importância histórica do espaço, buscando evitar novas situações semelhantes”, disse a prefeitura.

Nas imagens que viralizaram há pouco mais de um mês, o grupo aparece na Praça Minas Gerais, no centro histórico, em frente à estrutura conhecida como pelourinho — uma coluna de pedra usada no período colonial como instrumento de punição pública de pessoas escravizadas.

Em determinado momento, uma das mulheres se segura nas argolas de ferro do monumento e grita “me bate”, enquanto outras pessoas simulam cenas semelhantes e começam a rir da situação.

O vídeo teria sido gravado por uma moradora em 20 de abril. Segundo ela, os turistas fizeram referências diretas à escravidão, como “vai lá, agora é a sua vez de ser escravizada”.

Sem punição

Na época, autoridades anunciaram um esforço para tentar identificar os turistas que participaram do deboche, mas a intenção de punir os envolvidos deu espaço ao esforço pela conscientização.

Ao ser questionada sobre a instalação de sinalização educativa, a administração municipal disse que essa possibilidade já está entre os pontos que serão avaliados pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural e pela equipe técnica responsável.

“A intenção é construir uma comunicação mais clara e acessível para moradores e turistas sobre o significado histórico do pelourinho e da Praça Minas Gerais”, informou a prefeitura.

A reportagem do Metrópoles entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para saber sobre as investigações mas, até a publicação desta reportagem, não havia retorno.

Ao ser questionada sobre a identificação das pessoas envolvidas, a prefeitura disse que “não trabalha com a identificação pública dos envolvidos, tratando o episódio sob uma perspectiva educativa e de conscientização”.

Monumento histórico e memória da escravidão

O pelourinho de Mariana, localizado entre as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, é um marco do período colonial brasileiro. A estrutura original foi construída por volta de 1750 e simbolizava o poder da Coroa Portuguesa, sendo usada para castigos públicos.

A versão atual instalada na praça é uma réplica colocada em 1970.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações