Deboche em pelourinho: Mariana aposta em conscientização, não punição. Assista
Grupo fez encenações e falas sobre escravidão em monumento histórico de Mariana, na região Central, em abril; caso gerou indignação nas rede
atualizado
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Belo Horizonte – A cidade histórica mineira de Mariana não quer mais virar notícia por causa de piadas sobre o período da escravidão. Após a viralização de vídeo nas redes sociais mostrando um grupo de turistas encenando gestos que remetem à tortura de pessoas negras escravizadas no antigo pelourinho da cidade, a prefeitura local preparou e encaminhou ao setor de Patrimônio Cultural o esboço de proposta com o objetivo de fortalecer a comunicação na área. A proposta será submetida ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural.
“O objetivo é elaborar medidas voltadas à orientação do público e ao fortalecimento da comunicação sobre a importância histórica do espaço, buscando evitar novas situações semelhantes”, disse a prefeitura.
Nas imagens que viralizaram há pouco mais de um mês, o grupo aparece na Praça Minas Gerais, no centro histórico, em frente à estrutura conhecida como pelourinho — uma coluna de pedra usada no período colonial como instrumento de punição pública de pessoas escravizadas.
Em determinado momento, uma das mulheres se segura nas argolas de ferro do monumento e grita “me bate”, enquanto outras pessoas simulam cenas semelhantes e começam a rir da situação.
O vídeo teria sido gravado por uma moradora em 20 de abril. Segundo ela, os turistas fizeram referências diretas à escravidão, como “vai lá, agora é a sua vez de ser escravizada”.
Sem punição
Na época, autoridades anunciaram um esforço para tentar identificar os turistas que participaram do deboche, mas a intenção de punir os envolvidos deu espaço ao esforço pela conscientização.
Ao ser questionada sobre a instalação de sinalização educativa, a administração municipal disse que essa possibilidade já está entre os pontos que serão avaliados pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural e pela equipe técnica responsável.
“A intenção é construir uma comunicação mais clara e acessível para moradores e turistas sobre o significado histórico do pelourinho e da Praça Minas Gerais”, informou a prefeitura.
A reportagem do Metrópoles entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para saber sobre as investigações mas, até a publicação desta reportagem, não havia retorno.
Ao ser questionada sobre a identificação das pessoas envolvidas, a prefeitura disse que “não trabalha com a identificação pública dos envolvidos, tratando o episódio sob uma perspectiva educativa e de conscientização”.
Monumento histórico e memória da escravidão
O pelourinho de Mariana, localizado entre as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, é um marco do período colonial brasileiro. A estrutura original foi construída por volta de 1750 e simbolizava o poder da Coroa Portuguesa, sendo usada para castigos públicos.
A versão atual instalada na praça é uma réplica colocada em 1970.