Como funciona e para que serve transplante de fezes em hospital de MG

O tratamento só pode ser realizado associado a um projeto de pesquisa ou com o consentimento expresso do paciente

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação / HC-UFMG
Dr. Eduardo Villa no biobanco de fezes do HC-UFMG
1 de 1 Dr. Eduardo Villa no biobanco de fezes do HC-UFMG - Foto: Divulgação / HC-UFMG

Belo Horizonte – O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) está precisando de doadores de fezes para transplante de microbiota fecal. O assunto despertou a curiosidade de pessoas que desconheciam a existência desse procedimento para o tratamento de infecção intestinal grave.

O tratamento é oferecido desde 2017 pelo Centro de Transplante Fecal do HC-UFMG, o único no Brasil especializado nesse tipo de procedimento. O local também é um dos primeiros a manter um banco de fezes, onde é preparada uma solução composta por esse substrato fecal, “os filtrados”, que são implantados no paciente.

É importante que se diga que transplante só pode ser realizado se estiver associado a um projeto de pesquisa ou com o consentimento expresso do paciente, pois o procedimento ainda não é autorizado pela Anvisa, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, como explica o responsável pelo centro, o gastroenterologista Eduardo Vilela.

“Nos Estados Unidos, esse procedimento é aprovado pelo FDA. Aqui, infelizmente, ele ainda não é aprovado pela Anvisa. Lá fora já existe até formulação comercial desse filtrado de fezes”, esclarece Vilela.

As pessoas que são submetidas a esse procedimento são aquelas que apresentam casos de refratariedade ou recorrência da infecção pela Clostridioides difficile, uma bactéria que causa infecções no cólon, provocando de diarreia leve a inflamações graves.

O tratamento é oferecido experimentalmente em Belo Horizonte desde 2017 e já beneficiou 20 pacientes, com taxa de sucesso de 90%, segundo os dados oficiais.

Como é feito o procedimento

“O transplante de microbiota fecal pode ser feito por via endoscópica ou ainda por meio de uma sonda nasoentérica. Também pode ser feito por colonoscopia, na qual é utilizado um aparelho para colocar o filtrado de fezes no intestino grosso do paciente”, explica Eduado Vilela.

Feito o procedimento, o paciente fica em observação e passa por acompanhamento ambulatorial para avaliação e observação da evolução do quadro. De acordo com o médico, no final da primeira semana, o paciente já está com menos de três evacuações por dia.

Segundo Vilela, existe também a possibilidade de transformar o filtrado de fezes em “cápsulas liofilizadas”. Essas cápsulas, após ingeridas, permitem que a flora intestinal inativa se torne novamente ativa, combatendo a infecção pelo Clostridioides difficile.

Preconceito com o tratamento

Apesar de ser um assunto ainda pouco conhecido e por se tratar de fezes, o médico afirma que ainda existe preconceito, mas a avaliação e todo o tratamento realizado antes do transplante garantem todo o cuidado e segurança ao receptor.

“Infelizmente, existe preconceito, pois trabalhamos com material oriundo de fezes. No entanto, o cuidado que temos no preparo desse material, aliado ao tipo de exame que realizamos, garante total segurança ao procedimento”, afirma o gastroenterologista Eduardo.

As fezes doadas são preparadas e processadas por uma equipe composta por médicos patologistas. Esse material fica armazenado em um ultrafreezer (-80°C). Isso garante a conservação do material a longo prazo.

Quem pode doar

Os doadores precisam estar saudáveis e ter entre 18 e 50 anos, podem ser do sexo masculino ou feminino. Os interessados em doar as fezes passarão por uma entrevista por telefone e também por exames físicos e laboratoriais. Para se inscrever é preciso enviar um e-mail manifestando a vontade de ser um doador. O endereço de e-mail é:  transplantedefezeshcufmg@gmail.com.

“É um procedimento off label que a gente conduz dentro de um projeto de pesquisa que foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da UFMG. A seleção do doador começa com um questionário simples”, explica Eduardo Vilela.

É feita uma anamnese estruturada com várias perguntas para que, em um segundo momento, o voluntário faça exames de rotina. Após essa primeira etapa, o doador é submetido a exames específicos, inclusive exames de fezes bastante minuciosos, para que possa acontecer a doação sem riscos para o receptor.

Dificuldades em se manter o doador

Dr. Eduardo Vilela explica que a maior dificuldade encontrada é a fidelização do doador. Muitas vezes a pessoa se inscreve, passa por todo o processo e não permanece fazendo as doações. Ele conta que os exames realizados são válidos por três meses, mas na maioria das vezes, o doador não retorna para fazer a doação e o biobanco de fezes fica sem material para os tratamentos.

“Dominar essa tecnologia no Brasil é muito importante e ter essa conscientização que a gente precisa de doadores para manter esse serviço funcionando é fundamental”, afirma o médico.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?