Com 65% do território destruído por fogo, Maxakali pedem ajuda via vaquinha
Fogo devastou cerca de 3,5 mil hectares, destruiu plantações e deixou aldeias sem água e luz; comunidades tentam arrecadar R$ 100 mil

Belo Horizonte — Após uma série de incêndios destruir cerca de 65% de seu território em Minas Gerais, uma vaquinha online foi aberta para ajudar o povo indígena Tikmũ’ũn-Maxakali a arrecadar R$ 100 mil e recuperar parte das áreas devastadas. O fogo também destruiu plantações e estruturas de abastecimento de água e energia elétrica.
As causas dos incêndios continuam sem respostas. Quase um mês após o início do fogo, e apesar de os indígenas apontarem possíveis ações criminosas, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que as diligências seguem em andamento. Até o momento, ninguém foi responsabilizado.
Enquanto isso, a campanha (acesse aqui), organizada pela Teia dos Povos, foi lançada nesta terça-feira (3/11). O dinheiro será destinado à compra de sementes e mudas, à preparação do solo e à alimentação dos indígenas que participarão dos mutirões de recuperação.
Entre os dias 7 e 15 de outubro, incêndios de grandes proporções atingiram a Terra Indígena Maxakali, localizada nos municípios de Bertópolis e Santa Helena de Minas, no Vale do Mucuri. Ao todo, cerca de 3,5 mil hectares foram queimados, o equivalente a aproximadamente 4,9 mil campos de futebol.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAs chamas destruíram áreas de mata nativa, nascentes, plantações e espaços de reflorestamento. O fogo também atingiu o Projeto Hãmhi – Terra Viva, inici
Aldeias ficaram sem água e luz
A destruição de canos, fios e bombas de abastecimento deixou aldeias como Pradinho e Água Boa sem água, energia elétrica e comunicação. A fumaça também provocou problemas respiratórios entre os moradores.
A situação é agravada pela vulnerabilidade do povo Tikmũ’ũn-Maxakali. Em julho, a reportagem mostrou que a Justiça Federal determinou que órgãos públicos adotem medidas urgentes para enfrentar a crise.
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Entre os problemas apontados estão a falta de água potável, a desnutrição crônica, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e relatos de racismo institucional. região.
Suspeita de incêndio criminoso
Segundo relatos de indígenas, há suspeitas de que os incêndios tenham sido provocados de forma criminosa. Os dois principais focos teriam sido iniciados por pessoas de fora das comunidades.
Integrantes do projeto de reflorestamento também levantam a suspeita de que o fogo tenha sido provocado intencionalmente, em meio a conflitos envolvendo o território indígena.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), informou, por meio da Delegacia de Polícia Civil de Águas Formosas, informa que instaurou os inquéritos, destinados à apuração das circunstâncias relacionadas ao incêndio.
“A PCMG esclarece que as diligências investigativas estão em andamento, com o objetivo de apurar a origem do incêndio e identificar eventuais responsáveis. Outras informações poderão ser divulgadas oportunamente, conforme o avanço das investigações, observada a necessidade de preservação dos trabalhos de polícia judiciária”, disse.
Vaquinha para reconstrução
A primeira meta da campanha é arrecadar R$ 100 mil para garantir a alimentação dos participantes dos mutirões, comprar sementes e mudas e preparar o solo para novos plantios.
Caso o valor seja ultrapassado, a campanha prevê novas etapas de recuperação, incluindo a compra de equipamentos agrícolas e a construção de aceiros, faixas de terreno sem vegetação que ajudam a impedir a propagação do fogo.
A meta final também contempla a compra de um trator para auxiliar no cultivo e na recuperação das áreas destruídas.
