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Minas Gerais

Cinema em Transe: podcast criado em BH dá voz à produção nacional

Criado durante a graduação na PUC Minas, o podcast chegou ao 54º episódio e já recebeu grandes nomes como Luiz Carlos Barreto, o "Barretão"

24/08/2026 10:50, atualizado 24/08/2026 10:57
Divulgação/Cinema em Transe
Cinema em Transe: podcast criado em BH dá voz à produção nacional

Belo Horizonte — O que começou como uma inquietação durante a faculdade se transformou em um espaço dedicado exclusivamente ao cinema brasileiro. Criado em Belo Horizonte, o podcast Cinema em Transe chegou ao 54º episódio discutindo não apenas filmes e cineastas, mas também os bastidores, a distribuição e a articulação política do setor audiovisual no país.

A ideia surgiu durante a graduação na PUC Minas, quando os cineastas Gabriel Matavel dos Santos, de 26 anos, e Renan Eduardo perceberam que sentiam falta de discussões mais amplas sobre a produção nacional na internet. A dupla decidiu, então, criar o espaço que gostaria de encontrar como ouvinte.

“Sentíamos muita falta de discussões mais amplas sobre o nosso cinema na internet durante a nossa graduação na PUC Minas. Decidimos nós mesmos fazer essas discussões e possivelmente pautar o debate junto a alguns poucos podcasts com essa pegada que existiam. Foi muito natural”, conta Gabriel.

Renan, que dividia a produção do podcast com Gabriel desde o início, não faz mais parte do projeto. O Cinema em Transe, no entanto, seguiu adiante e acumulou dezenas de episódios voltados exclusivamente à produção brasileira.

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Segundo Gabriel, um dos diferenciais está justamente em ampliar a conversa para além daquilo que o público vê nas telas.

“Acho que o nosso diferencial vem de abordar toda a cadeia de produção, e não apenas o conteúdo dos filmes. Abordamos distribuição e articulação política do setor com bastante seriedade”, afirma.

Sem patrocínio, o podcast é produzido de forma independente e, em grande parte, remotamente. A proposta é tratar de diferentes temas e profissionais do audiovisual em uma linguagem acessível, aproximando o público das discussões que movimentam o cinema nacional.

Encontro com nomes históricos do cinema

Entre os mais de 50 episódios já produzidos, uma das experiências que mais marcou Gabriel foi a oportunidade de conversar com Luiz Carlos Barreto, o Barretão, e Lucy Barreto, dois dos nomes mais importantes da produção cinematográfica brasileira.

Barretão, que morreu aos 98 anos em julho deste ano, construiu uma trajetória de mais de seis décadas no audiovisual e foi um dos nomes ligados ao Cinema Novo. Trabalhou como diretor de fotografia em clássicos como Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967) e participou da produção de obras que marcaram o cinema nacional, como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil e O Quatrilho, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Lucy Barreto também construiu uma extensa trajetória na produção cinematográfica brasileira. À frente de projetos da L.C. Barreto e da Filmes do Equador, produziu e coproduziu dezenas de longas-metragens, documentários e séries. No currículo estão títulos como Bye Bye Brasil, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?. Os dois últimos disputaram o Oscar de melhor filme estrangeiro em anos consecutivos.

Para Gabriel, receber o casal no Cinema em Transe foi um dos pontos altos da história do projeto.

“Luiz e Lucy Barreto foram, com certeza, os que mais mexeram conosco. Ao fim, eu e o apresentador convidado ficamos aos berros, superanimados”, relembra.

Agora, depois de chegar a 54 episódios e reunir conversas sobre diferentes dimensões do audiovisual brasileiro, o Cinema em Transe inicia uma nova etapa. Nesta segunda-feira (24/8), o projeto lança seu primeiro episódio em vídeo, ampliando a aposta em levar as discussões sobre o cinema nacional a novos públicos.