Casal morto em BH se mudaria de apartamento nos próximos dias
De acordo com a família, o móvel no bairro São Pedro, onde ocorreu o crime, já havia sido vendido e os dois iriam para bairro Serra

Belo Horizonte — O advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, estavam prestes a deixar o apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, local onde foram mortos.
Segundo um sobrinho do casal, Henrique Maciel, em entrevista ao Metrópoles, o imóvel já havia sido vendido, e a mudança para uma casa no bairro Serra, também na região Centro-Sul da cidade, estava prevista para ocorrer em cerca de 15 a 20 dias. A família afirma que o casal morava no apartamento havia cerca de duas décadas.
Casados havia mais de 50 anos, os dois levavam uma vida tranquila, viajavam com frequência e mantinham uma vida social ativa. Cláudio ainda exercia a advocacia, e o fato de não ter comparecido ao escritório despertou a preocupação da família.
Foi justamente a falta no trabalho que levou o filho do casal, Felipe, a ir até o apartamento. “Ele ligou, ninguém atendeu. Foi até a casa e também não conseguiu contato. Como a família tinha acesso ao imóvel, entrou e encontrou os dois”, relatou Henrique.

Sem sinais de arrombamento
A Polícia Militar constatou que não havia sinais de arrombamento. Maria Clotilde foi encontrada caída no chão da sala, em frente ao sofá, enquanto Cláudio estava sobre a cama do quarto. Ambos apresentavam grande quantidade de sangue ao redor dos corpos e aparentes sinais de violência.
“Foi uma ação covarde e brutal”, afirmou o sobrinho. Segundo ele, após a perícia no Instituto Médico-Legal (IML), o médico-legista informou à família que Cláudio sofreu 43 golpes, enquanto Maria Clotilde foi atingida por 17. Inicialmente, o boletim de ocorrência apontava que o advogado havia sido morto com 17 facadas e a esposa, com sete. Os números, no entanto, foram atualizados após o exame pericial mais detalhado.
Felipe é o único filho do casal. A filha morreu em 2006. Ela era triatleta e morreu atropelada. “Todo mundo está arrasado. É algo muito triste, inaceitável. Estamos confiando na Polícia Civil para esclarecer tudo”, disse o parente.
Imagens de segurança
Conforme informações das polícias Civil e Militar, uma mulher de 30 anos, apontada como suspeita, ainda não foi localizada. Ela teria sido indicada para trabalhar na casa do casal como faxineira e foi vista entrando no apartamento no dia do crime e deixando o local com uma bolsa reconhecida pelo filho de Maria Clotilde como sendo da mãe.
Segundo a PM, imagens de segurança mostram que a suspeita entrou no prédio às 7h30 com uma bolsa e saiu cerca de oito horas depois usando roupas diferentes e carregando duas sacolas grandes, além da bolsa.
Henrique Maciel afirmou que, inicialmente, a família foi informada de que a suspeita teria ido ao imóvel pela primeira vez na segunda-feira (29/6). Mas hoje acredita que ela já conhecia o casal.
“A primeira informação que tivemos é que ela tinha ido lá na segunda-feira pela primeira vez, mas tudo indica que não foi a primeira vez. Ela foi fazer uma faxina, e agora a gente está tentando descobrir de onde partiu esse contato”, disse.
Segundo o familiar, a expectativa é que a análise dos celulares ajude a esclarecer como a mulher chegou até o casal.
Ela não foi encontrada no endereço onde morava, em Ribeirão das Neves (Grande BH), e teria dito à tia que viajaria para o Espírito Santo um dia após o crime. A Polícia Civil informou que ninguém foi preso e que as investigações continuam, sem descartar nenhuma linha de apuração.
Despedida
Os corpos serão velados nesta quarta-feira (1º/7), a partir das 16h15, na Capela 2 do Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, na região Oeste de Belo Horizonte.
O sepultamento está previsto para as 17h15, no mesmo cemitério.


