Minimalismo sagrado: contradição estética de Caetano Veloso em “Joia”

Lançado com “Qualquer Coisa”, o álbum pós-exílio foi um laboratório de minimalismo radical e poesia sensível enfrentando a ditadura

atualizado

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1 de 1 caetano-veloso - Foto: Reprodução/Instagram

Lançado em 1975, “Joia” marcou o retorno de Caetano Veloso após o período altamente experimental com “Araçá Azul” (1973). O álbum, lançado simultaneamente com “Qualquer Coisa” (1975), foi lapidado para brilhar, sendo descrito como sintético e bonito.

A produção de “Joia” se inclinou ao experimentalismo de forma mais sutil do que “Araçá Azul”, equilibrando o minimalismo radical de faixas como “Tudo, tudo, tudo” e “Gua” com melodias indígenas (“Asa”) e nordestinas (“Pipoca Moderna”).

O disco é um laboratório em que Caetano mistura diferentes doses de gêneros para apoiar a poesia sensível, incluindo a doçura de “Minha mulher”.

Apesar da busca por uma coerência artística, a audição de “Joia” evoca uma sensação de estar “suspenso no tempo”. Caetano o compôs com o propósito de desconstruir a ideia de música organizada por décadas, colocando o disco contra aqueles que “esquecem o minuto e o milênio”.

O disco é cercado por controvérsia devido à arte gráfica. A ideia original da capa era uma pintura feita sobre uma fotografia que mostrava Caetano, a esposa Dedé e o filho Moreno Veloso nus.

Embora Caetano tenha coberto a nudez com pombas pintadas, a capa foi imediatamente censurada, restando apenas as pombas e a tipografia após a intervenção do departamento.

A repercussão resultou em ameaças legais a Caetano e Dedé de perderem a guarda de Moreno.

A obra, que teve produção caprichada de Perinho Albuquerque, traz canções icônicas como “Canto do Povo de um Lugar”, considerado um cântico de louvor para a natureza, e uma versão repaginada de “Help” dos Beatles, mais “Blues melancólica e tocada apenas no violão”, na herança de João Gilberto.

“Joia” resistiu aos entraves da ditadura e continua a ser uma experiência profunda.

Ao revisitar momentos essenciais de sua discografia no Festival Estilo Brasil, Caetano reafirma o poder de obras como “Jóia” — discos que não dependem de grandiosidade para permanecer.

Na delicadeza de arranjos mínimos e na poesia que resiste ao tempo, “Jóia” se destaca como parte do repertório emocional que acompanha o artista até hoje.

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O Festival Estilo Brasil é apresentado pelo Banco do Brasil Estilo, com patrocínio do governo federal e dos cartões BB Visa, e realização do Metrópoles, com produção da Oh! Artes.

Programação

Caetano Veloso
11 de dezembro

Liniker
14 de dezembro

Festival Estilo Brasil

Local: Ulysses Centro de Convenções
Ingressos: Bilheteria Digital

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