“London, London”: o retrato de Caetano Veloso no exílio

Em 1971, sozinho em Chelsea, Caetano transformou a saudade e a melancolia em um dos discos mais dolorosamente belos da MPB

atualizado

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Caetano Veloso - Metrópoles
1 de 1 Caetano Veloso - Metrópoles - Foto: Pedro Gomes/Getty Images

Há momentos na vida de um artista em que a dor transborda, mas não grita — ela sussurra. O álbum “Caetano Veloso” (1971), gravado em Londres durante o exílio devido à ditadura, é esse sussurro melancólico. Um disco que parece envolto em neblina, como a própria cidade onde ele vivia, solitário na Rua Redesdale, sem amigos, sem país, sem chão.

Depressivo e tentando sobreviver emocionalmente ao afastamento brutal do Brasil, Caetano aceitou o convite de produtores britânicos para compor um disco em inglês.

O resultado é um registro de tristeza madura, um diário musical de um jovem que se via arrancado da Bahia, do calor e da língua materna.

A faixa mais conhecida, “London, London”, atravessa gerações como uma das mais delicadas expressões de exílio já escritas. Caetano caminha pelas ruas, “contra o vento, sem medo nem esperança”, e cada palavra é uma fotografia da solidão inglesa.

A música, favorita do artista, captura a sensação de viver suspenso entre dois mundos.

A capa — ele enrolado em um casaco pesado, olhar circunspecto — já entregava o estado de espírito do álbum. Em “If You Hold a Stone”, Caetano usa o samba de roda “Marinheiro Só” como base e evoca a Bahia que o perseguia como memória fantasmática.

Em “A Little More Blue”, a melancolia aparece explícita nos primeiros versos do disco, quase uma confissão.

A dor da distância alcança a expressão mais terna em “Maria Bethânia”, um pedido quase infantil para que a irmã escrevesse cartas. Era como se cada sílaba fosse uma tentativa de retorno, mesmo que só pela imaginação.

O álbum termina com “Asa Branca”, em que o sertão — e o Brasil — se tornam metáfora do lar definitivo, sempre desejado, sempre distante.

Embora “Transa” (1972) tenha se tornado o álbum cult do exílio, esse disco de 1971 permanece como a tradução mais fiel da alma de Caetano naquele período. Um álbum cinzento e doloroso, mas também incrivelmente bonito.

Ao subir ao palco do Festival Estilo Brasil em 11 de dezembro, Caetano revisita a trajetória que passou pela dor, pelo desterro e pela reinvenção. “London, London” estará ali, invisível, pairando sobre o repertório, lembrando que a saudade também molda gigantes.

O Festival Estilo Brasil é apresentado pelo Banco do Brasil Estilo, com patrocínio do governo federal e dos cartões BB Visa, e realização do Metrópoles, com produção da Oh! Artes.

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Programação

Caetano Veloso
11 de dezembro

Liniker
14 de dezembro

Festival Estilo Brasil

Local: Ulysses Centro de Convenções
Ingressos: Bilheteria Digital

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