A tentativa de Caetano de unir Disco Music à África ancestral em 1977

Lançado no auge da discoteca, o álbum “Bicho” foi patrulhado pela crítica por suposta alienação, mas, na verdade, celebrava as origens

atualizado

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Caetano Veloso
1 de 1 Caetano Veloso - Foto: Getty Images

Lançado em 1977, “Bicho”, o décimo álbum de estúdio de Caetano Veloso, estruturou-se em torno de dois elementos musicais que, à primeira vista, parecem díspares: a tradição africana e a disco music. Naquele ano, Caetano (com 35 anos) apontou as “antenas para as pistas de dança do planeta”.

Contudo, o disco foi recebido com desconfiança pela crítica e alas da esquerda. Ele foi tratado como “um convite à alienação” e “exemplo da dominação estrangeira”. A crítica patrulhava Caetano, cobrando dele o engajamento político explícito de Chico Buarque e Gilberto Gil.

No entanto, um olhar mais atento revela que Caetano buscava uma síntese. Os tambores da África e as batidas das pistas eram, na verdade, duas formas de “ser gente linda e dançar”.

O álbum celebrava a música dançante de origens afro, notando que a disco music surgiu pelas mãos dos negros americanos antes de ser apropriada pelos brancos.

O disco foi influenciado pelo impacto que Caetano sentiu ao visitar a Nigéria e presenciar a pobreza local.

Na faixa “Gente”, o artista enfatiza que “gente é pra brilhar / não pra morrer de fome”. A canção “Two Naira Fifty Kobo”, que incorpora o juju music nigeriano, expressa que o certo é “ser gente linda e dançar, dançar, dançar” e “fazendo música”.

Além do foco na dança e no ancestral, o álbum é permeado por doçura. Ele apresenta clássicos como a dançante “Odara” (um dos favoritos singalong do público brasileiro), a reflexiva “Um Índio” (um reggae de versos apocalípticos) e a lindíssima “O Leãozinho” (composta para o baixista Dadi).

A faixa “Tigresa” canta sobre a mulher que trocou a política de 1966 pelo hedonismo dançante dos Frenetic Dancing’ Days.

“Bicho” provou que Caetano, mesmo flertando com o pop, permanecia atento ao que pulsava no mundo.

Quase cinco décadas depois, Caetano retorna aos palcos com a mesma inquietude que o levou a unir África, disco e Brasil. No Festival Estilo Brasil, essas canções — doces, dançantes, críticas e ancestrais — ganham corpo novamente, mostrando que a pista de dança sempre foi política e que Caetano continua sendo o artista que traduz a pulsação do mundo.

O Festival Estilo Brasil é apresentado pelo Banco do Brasil Estilo, com patrocínio do governo federal e dos cartões BB Visa, e realização do Metrópoles, com produção da Oh! Artes.

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Programação

Caetano Veloso
11 de dezembro

Liniker
14 de dezembro

Festival Estilo Brasil

Local: Ulysses Centro de Convenções
Ingressos: Bilheteria Digital

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