Candomblé e Baile do Carmo: saiba mais do lado espiritual de Liniker

Imersa na ancestralidade, artista revela a dificuldade de conciliar o ritmo frenético da turnê com os preceitos, e resgata o Baile do Carmo

atualizado

metropoles.com

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Liniker
1 de 1 Liniker - Foto: Divulgação

A força ancestral é um componente fundamental na arte de Liniker, que expressa abertamente a conexão com a cultura afro-brasileira. No entanto, o ritmo alucinante da carreira a colocou em um dilema entre o palco e os preceitos espirituais.

Em entrevista, Liniker revelou que teve que adiar a iniciação no candomblé nos últimos anos por causa do ritmo de trabalho. “Eu estava o tempo todo na estrada, foi difícil”, afirma.

A dedicação à arte foi tão intensa que a fez negligenciar o autocuidado: “Para você ter uma ideia, não lembro qual foi a última vez que fiz um exame de sangue. Eu subia no palco mesmo quando tinha febre. Agora, sinto que, pela primeira vez, tenho tempo para cuidar de mim”.

Essa fase de introspecção e autocuidado ocorre após o sucesso de “Caju”, um disco que Liniker define como sendo sobre “amor, reconciliação e poder espiritual”. O trabalho anterior, “Indigo Borboleta Anil” (vencedor do Grammy Latino em 2022), também foi um ato de cura, criado para tratar da dor, ansiedade e crise de pânico.

Além do candomblé, a ancestralidade de Liniker está profundamente ligada à cidade natal, Araraquara, e ao Baile do Carmo. O baile é um espaço de “resistência preta” que nasceu da segregação social, quando pessoas pretas eram proibidas de frequentar os clubes brancos da cidade.

A família de Liniker, os Barros, é muito ativa no evento. O baile construiu todo o “imagético de pessoas pretas sendo bem vestidas, de pessoas pretas sendo felizes, de pessoas pretas dançando”.

Liniker guarda a memória da produção da mãe e tia se arrumando para o baile, um momento em que as famílias pretas se organizavam para viver uma semana de beleza e de ser “insuportavelmente dela”.

Essa base cultural se reflete na experimentação musical de “Caju”, que rompeu com o rótulo “senhoril” e incorporou gêneros como pagode e arrocha, que são a “nossa forma de falar de amor” e que a mãe ouvia no Baile do Carmo.

É esse clima de ritual e espiritualidade que Liniker encerra a 2ª edição do Festival Estilo Brasil, no dia 14 de dezembro, no Ulysses Centro de Convenções.

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O Festival Estilo Brasil é apresentado pelo Banco do Brasil Estilo, com patrocínio do governo federal e dos cartões BB Visa, e realização do Metrópoles, com produção da Oh! Artes.

Programação

Caetano Veloso
11 de dezembro

Liniker
14 de dezembro

Festival Estilo Brasil

Local: Ulysses Centro de Convenções
Ingressos: Bilheteria Digital

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