Quem foi Joaquim Roriz, o homem que mais vezes comandou o DF

Ex-governador teve uma trajetória política marcada por vitórias e escândalos

Foto: DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES
 

O homem que comandou o Distrito Federal por 3.839 dias sucumbiu. Nesta quinta-feira (27/9), o coração de Joaquim Domingos Roriz parou de bater. A morte ocorreu no Hospital Brasília, no Lago Sul, onde o político de 82 anos tentava se recuperar de um grave quadro infeccioso que culminou em três paradas cardíacas e uma traqueostomia horas antes do falecimento. O ex-governador também lutava, havia anos, contra uma agressiva diabetes que, em agosto de 2017, obrigou médicos a amputarem dedos do pé esquerdo e parte da perna direita do ex-governador.

Além da doença, que eleva os níveis de glicose no sangue, Roriz sofria de problemas renais e Alzheimer. A perda das funções cognitivas contrastava com a eloquência do político, que, ao longo da carreira, notabilizou-se por discursos comoventes, especialmente para a população mais carente. A vitalidade de outrora deu lugar à rotina melancólica dos últimos anos. Em uma cadeira de rodas, com dificuldades para falar e submetido a três horas diárias de hemodiálise, Roriz levava uma vida reclusa em casa, no Park Way.

No auge da carreira pública, contudo, aparecia cercado de assessores, seguranças e políticos de menor expressão que queriam pegar carona em sua popularidade. O séquito foi, aos poucos, substituído. Os primeiros efeitos da diabetes deixavam o ex-governador fadigado, mas, mesmo assim, ele cultivava o hábito de reunir aliados, discursar e debater estratégias. No entanto, há cerca de cinco anos, o diagnóstico de Alzheimer tornou seu quadro clínico mais fragilizado e o afastou definitivamente dos holofotes.

Doente e debilitado, contava, no dia a dia, com o auxílio de um enfermeiro e da esposa, Weslian Roriz. Além das três filhas e dos quatro netos, poucos se dispuseram a visitá-lo no período de isolamento, quando suas faculdades mentais se esvaíram.

Quem conheceu Roriz intimamente recorda-se da facilidade que o ex-governador tinha de gravar nomes. Bastava uma conversa para memorizá-los, o que, não raras vezes, causava espanto aos interlocutores. Contudo, a doença neurodegenerativa e incurável roubou tal qualidade. Idoso e esquecido, chegou a não reconhecer a filha Jaqueline. Também não se lembrou de um ex-aliado, o ex-vice-governador e atual presidente do MDB-DF, Tadeu Filippelli.

Em seu último discurso para o público, em 4 de agosto de 2015, já demonstrava fraqueza. Ao receber do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) o título de cidadão honorário de Brasília, não teve forças para concluir a leitura de uma carta de agradecimento. A partir daquele dia, a família evitou que o patriarca do clã aparecesse diante de lentes e câmeras.

Político nato

O ex-todo-poderoso de Brasília viveu uma infância menos nobre. Nascido em 4 de agosto de 1936, em Luziânia, município goiano situado a 60km da capital federal, cresceu na propriedade rural da família, a Fazenda Palma, que tem como especialidade a produção de leite e seus derivados.

Filho do latifundiário Lucena Roriz e da dona de casa Jerzuleta de Aguiar Roriz, Joaquim cursou ciências econômicas na Universidade Federal de Goiás (UFG) e ciências jurídicas e sociais no então Centro de Ensino Unificado de Brasília (atual UniCeub). Apesar da formação acadêmica, Roriz enveredou para a política. Elegeu-se vereador aos 25 anos. Na ocasião, representou a cidade natal.

Depois da estreia, a ascensão foi meteórica. Ainda por Goiás, foi deputado estadual, deputado federal e vice-governador do estado no mandato do então governador Henrique Santillo. A relação de amor com Brasília começou a ser construída durante sua passagem pela Câmara dos Deputados, de 1982 a 1986.

Fincou raízes definitivamente na capital do país em 1988, quando o aliado de outrora Iris Rezende o indicou para ser governador biônico do Distrito Federal. Iris, à época, chefiava o Ministério da Agricultura e tinha uma aliança sólida com Roriz. O então presidente da República, José Sarney, aceitou o nome e deu a Joaquim Roriz a oportunidade de dirigir o Palácio do Buriti.

De vereador a governador

O inchaço do DF

A medida mais impactante do seu primeiro mandato foi a construção de Samambaia. Na ocasião, adversários acusaram-no de ter criado uma cidade carente dos serviços públicos mais básicos. Mesmo após ter criado outras seis localidades (veja abaixo), o então governador costumava dizer que Samambaia era sua “menina dos olhos”. Hoje, é a quarta maior região administrativa do DF, com mais de 250 mil moradores e comércio desenvolvido. No entanto, enfrenta problemas como violência e infraestrutura precária em alguns setores.

Roriz liderou o Palácio do Buriti até março de 1990, quando decidiu aceitar o convite do então presidente, Fernando Collor de Mello, para assumir o Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Mas permaneceu no posto por apenas 15 dias, pois se desligou do cargo para disputar o GDF na primeira eleição direta da história da cidade.

Pelo Partido Trabalhista Renovador (PTR), foi eleito na chapa que tinha como vice a filha do ex-presidente Juscelino Kubitschek Márcia Kubitschek. Com uma política habitacional questionada por rivais, tirou do papel quatro novas regiões administrativas: Santa Maria, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e Riacho Fundo II.

Veja, no mapa abaixo, todas as cidades criadas pelo ex-governador:

Em 1994, com a restrição da legislação eleitoral que o impediu de tentar um terceiro mandato, Roriz declarou apoio a Valmir Campelo na disputa ao GDF. Apesar do auxílio do mentor, Campelo foi derrotado pelo petista Cristovam Buarque, ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB).

Quatro anos depois, no entanto, Joaquim Roriz voltou a demonstrar força e reassumiu o comando do DF, derrotando justamente Cristovam numa acirrada e polêmica disputa. Dessa vez, chegou ao posto pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) – atual MDB. Benedito Domingos foi seu vice-governador.

A gestão populista o levou a conquistar ainda mais empatia entre as parcelas menos favorecidas da sociedade. A fama de “governador que dava casa” espalhou-se país afora, e milhares de pessoas começaram a deixar seus estados de origem em busca de imóvel próprio no Distrito Federal. O êxodo provocou inchaço populacional em várias regiões administrativas e também no Entorno do DF.

Outras iniciativas assistenciais – que, na visão de rivais, tinham o objetivo apenas de ampliar sua base eleitoral – marcaram a passagem de Roriz pelo Buriti. Ele criou programas destinados à distribuição de enxovais para recém-nascidos e de pão e leite para famílias de baixa renda.

Uma ação bastante associada ao seu nome foi a construção dos restaurantes comunitários, com refeições a preços bem abaixo dos praticados no mercado, graças a subsídios estatais. Até hoje, muitos brasilienses chamam as unidades de “Rorizão”, apelido que também batizou o estádio do time de futebol Samambaia.

Ao longo desses anos, uma rede de aliados se beneficiou do prestígio do governador. Além das filhas Jaqueline (PMN) e Liliane (Pros), que conquistaram milhares de votos graças ao apoio do pai, uma série de políticos conseguiu se eleger após ter Roriz no palanque.

Entre eles, estão Tadeu Filippelli (MDB), Maria de Lourdes Abadia (PSDB) e Benedito Domingos (PP), além de Gim Argello (PTB). Mas o maior exemplo é o do ex-secretário de Obras José Roberto Arruda (PR), que chegou ao Palácio do Buriti em 2006.

Embora não tenha concluído o mandato devido ao escândalo da Caixa de Pandora, até hoje Arruda é um nome forte no cenário político local. Só não voltou ao comando do GDF em 2014 porque foi impedido de se candidatar pela Justiça Eleitoral.

Quando Arruda deixou a corrida pelo Palácio do Buriti, ele e Roriz declararam apoio a Jofran Frejat (PR). A composição da chapa foi anunciada em um palanque com o ex-governador acenando para a plateia sentado na cadeira de rodas.

Primeiro revés

Praticamente imbatível nas urnas, Roriz venceu outro petista em 2002. Daquela vez, a “vítima” foi Geraldo Magela. No entanto, não completou os quatro anos de mandato à frente do GDF. Faltando nove meses para o fim de seu governo, pediu afastamento para se lançar à disputa pelo Senado Federal. Nesse período, o DF ficou sob a batuta da tucana Maria de Lourdes Abadia.

Como senador, Roriz teve seu primeiro revés na política. Não pelas urnas, mas pela Justiça. Em julho de 2007, para evitar um processo de cassação, renunciou ao cargo no Congresso, no episódio conhecido como Bezerra de Ouro.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou a Operação Aquarela. Roriz foi acusado de ter recebido recursos irregulares em um cheque de R$ 2,2 milhões, descontado no Banco de Brasília (BRB). O documento era assinado por Nenê Constantino, empresário fundador da empresa GOL Linhas Aéreas. O valor chamou atenção do Sistema Financeiro Nacional, já que nenhum dos dois era correntista do BRB.

A defesa de Roriz alegou que o dinheiro seria usado para a compra do embrião de uma bezerra, versão desmontada pelos investigadores. De acordo com os promotores, enquanto governador do DF, Roriz facilitou um empréstimo de R$ 6,7 milhões no BRB à construtora WRJ Engenharia em troca de 12 apartamentos no Edifício Monet, em Águas Claras. A operação teria beneficiado até alguns de seus parentes próximos, entre eles as filhas, Wesliane, Jaqueline e Liliane, e o neto Rodrigo Domingos Roriz. Todos foram denunciados por improbidade.

Oito anos após o escândalo, Roriz, Constantino e o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura foram condenados por improbidade administrativa, em 2015. No entanto, em outubro de 2016, o clã Roriz foi absolvido ao ter recurso analisado pela 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT).

Mas, entre a denúncia e a absolvição, houve um longo caminho, que começou com a despedida de Roriz do Senado. Aquele foi o último cargo eletivo dele.

Discurso de renúncia

Naquela época, mesmo pressionado pela opinião pública, Roriz mantinha-se confiante de que o processo não avançaria no Senado. Chegou a costurar um acordo com Renan Calheiros (MDB), então presidente da Casa, mas, para sua surpresa, a Mesa Diretora decidiu dar andamento às investigações no Conselho de Ética. Acuado e descrente em uma reviravolta, entregou a carta de renúncia. Durante o discurso de despedida no parlamento federal, negou as acusações e disse ser alvo da perseguição de adversários.

Relembre um trecho do pronunciamento no plenário do Senado, em 4 de julho de 2007

“Minha inocência, por mim proclamada e insistentemente repetida, não mereceu acolhida. O furor da imprensa, o açodamento de alguns, as conclusões maliciosamente colocadas, lamentavelmente, ecoaram mais alto. Pesou apenas o propósito de destruir, neste momento, uma vida pública coroada por relevantes serviços prestados à sociedade, particularmente ao povo mais humilde do Distrito Federal”

O cargo abdicado por Roriz caiu no colo do primeiro suplente, Gim Argello, atualmente detido e condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça no âmbito da Operação Lava Jato.

Embora tenha sentido o baque ao sair pelas portas dos fundos do parlamento, Roriz tinha convicção de que voltaria a governar o DF. Amparado por pesquisas de intenção de voto que o colocavam à frente de outros candidatos, mostrava-se tranquilo em relação ao futuro político. Porém, novamente a Justiça enterrou suas pretensões. Já em campanha, em 2010, teve sua candidatura cassada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa. Roriz recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas teve todos os pedidos negados.

O declínio político do clã

Segundo pessoas próximas ao ex-governador, Roriz mostrou-se abalado com a nova derrocada. Fora do tabuleiro das eleições de 2010, acreditou que o sobrenome de peso seria suficiente para fazer o clã voltar ao poder na capital do país. Discreta e dedicada à família, sua esposa, Weslian Roriz, foi lançada candidata. Despreparada, atrapalhou-se nos debates e virou chacota na internet. Mesmo sem conseguir expor ideias claras, chegou ao segundo turno aos trancos e barrancos, mas foi vencida por Agnelo Queiroz (PT).

Ao perceber que o sobrenome não bastaria para superar qualquer rival, Roriz deu sinais de fraqueza. O desânimo coincidiu com o agravamento de doenças. A primeira complicação foi na coluna, levando-o a passar por uma cirurgia no Hospital Albert Einstein. Apesar da intervenção médica, as dores não cessaram, e o homem que havia passado horas sobre o palanque ao longo dos anos precisou de uma cadeira de rodas.

Na sequência, o político iniciou tratamento para conter a diabetes e viu os problemas renais se agravarem. O quadro clínico se deteriorou de vez com o diagnóstico de Alzheimer. Incapacitado de manter-se ativo, o nome do clã enfraqueceu. Uma das herdeiras do espólio político do pai, a deputada distrital Liliane Roriz teve, em 2014, 5.254 votos a menos do que quatro anos antes, no seu primeiro mandato na Câmara Legislativa.

E as projeções para este ano não são nada favoráveis. “Queimada” entre colegas por ter sido a delatora do esquema que resultou na Operação Drácon – que investiga o suposto pagamento de propina a distritais em troca da aprovação de emendas parlamentares na área da Saúde –, a caçula da família terá dificuldades para renovar o mandato.

Além da dilapidação do patrimônio eleitoral, Liliane hoje está inelegível e tenta reverter o quadro no TSE. Ela recorre de uma condenação do TRE-DF de 4 anos, 5 meses e 8 dias de prisão em regime semiaberto, pelos crimes de compra de votos e falsidade ideológica durante a campanha de 2010.

Já a filha do meio, a ex-deputada federal Jaqueline Roriz, teve a candidatura cassada em 2014 pelo TRE-DF, com base na Lei da Ficha Limpa, devido ao envolvimento no esquema da Caixa de Pandora. segundo entendimento dos magistrados da Corte, ela está inelegível até 2022.

Hoje, a aposta da família é na pré-candidatura de Joaquim Domingos Roriz Neto, primogênito de Jaqueline. Ele deve disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados em outubro, pelo PMN. A profusão de siglas, aliás, sempre foi marca do clã, que transitou por vários partidos. O patriarca, por exemplo, já passou por MDB, PRTB e PSC, além de uma legenda que parece ter pouco a ver com a trajetória do ex-governador.

Poucos eleitores de Roriz sabem que ele foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em Goiás, justamente a legenda que viria a se tornar principal adversária ao longo dos anos. Devido aos embates históricos, criou-se no DF a guerra entre “azuis” e “vermelhos”.

A rivalidade histórica impediu a costura de uma aliança em 2010. Antigos aliados de Roriz contaram que, durante as reuniões para a formação de chapa, Michel Temer, então presidente do MDB e também da Câmara dos Deputados, tentava colocar, no mesmo palanque, Roriz e um nome forte do Partido dos Trabalhadores. Afinal, Temer disputaria a vice-Presidência da República na chapa com Dilma Rousseff (PT).

Agnelo Queiroz era o preferido do comandante do MDB para ficar ao lado Roriz. A dobradinha proposta por Temer contou até mesmo com um café da manhã na Residência Oficial da Câmara dos Deputados, mas as feridas ainda estavam abertas, e o pacto ficou pelo caminho.

Ao longo de todos esses episódios, uma importante figura deu suporte ao político: a mulher dele, Weslian Roriz.

Paixão em um 7 de Setembro

Foi durante o desfile de 7 de Setembro de 1959, em Luziânia, que Joaquim Roriz e Weslian do Perpétuo Socorro Peles se conheceram. Apesar do interesse mútuo, a relação só teve início meses depois, pois Roriz era noivo de outra mulher. Em julho do ano seguinte, os dois assumiram a união. Aos 19 anos e de família rica, Weslian saiu da casa dos pais para morar com o companheiro.

O casal teve quatro filhos: Wesliane, Jaqueline (na foto acima, com os pais), Liliane e Ricardo. O garoto, porém, morreu ainda criança, vítima de hemofilia — doença hereditária que prejudica a capacidade do corpo em controlar a circulação do sangue. Exames confirmaram que a enfermidade está presente no DNA de Weslian e atinge os homens da família.

Roriz dizia que seu dinheiro vinha principalmente da criação de gado. Em 2006, ao registrar sua candidatura ao Senado, declarou ter R$ 4.489.278,95, sendo mais da metade referentes a 6.227 cabeças de gado. A luxuosa mansão na Quadra 8 do Park Way foi avaliada, à época, em R$ 600 mil. No informe à Justiça Eleitoral, Roriz declarou um aparelho celular fabricado em 1996 por R$ 1,1 mil.

Criador de gado

Quatro anos depois, ao se lançar novamente ao Palácio do Buriti, disse que o patrimônio havia subido para R$ 5.241.52,60. O rebanho permaneceu como principal fonte de renda, tendo a residência — conhecida por ostentar na entrada uma imagem de Nossa Senhora — como segundo item mais valioso (foto abaixo).

A casa, relativamente simples, mas muito espaçosa, era costumeiramente usada por Roriz em reuniões com aliados políticos. Entretanto, amigos contam que ele mostrava-se incomodado em misturar trabalho e vida particular. Resolveu, então, construir um escritório nos fundos.

O arquiteto responsável pela obra reproduziu na varanda a mesma estrutura da casa na Fazenda Palma, local predileto quando Roriz queria descansar. Segundo pessoas ligadas ao ex-governador, como Weslian raramente visitava o escritório, o marido aproveitava para beber escondido, apesar de os médicos proibirem a ingestão de bebidas alcoólicas.

De agora em diante, todo o legado do ex-governador passa de mãos. Enquanto o futuro do espólio deixado por ele ainda é incerto, o Distrito Federal aguarda detalhes da cerimônia do último adeus a Joaquim Domingos Roriz, o homem que parte deixando profundas mudanças na história do Distrito Federal.

Diretora-executiva

Lilian Tahan

Editora-executiva

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Editora-chefe

Maria Eugênia

Coordenação

Olívia Meireles

Edição

Otto Valle

Reportagem

Saulo Araújo

Revisão

Adriano Brasil e Denise Costa

Editor de fotografia

Daniel Ferreira

Fotografia

Michael Melo

Arte e infográficos

Guilherme Prímola

Tecnologia

Allan Rabelo, Jhonantans Rocha e Saulo Marques

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