Estado manda no saneamento e deixa 110 milhões sem esgoto tratado

Sistema é propriedade privada e exclusiva dos políticos locais que controlam as infames “empresas públicas” autorizadas a operar na área

atualizado 03/01/2020 10:20

EBC/DIVULGAÇÃO

Não é preciso mais que 30 segundos para qualquer pessoa que tenha uma capacidade mínima de juntar dois com dois entender a essência do problema do saneamento básico no Brasil. Em todo o país, apenas 5% dos serviços de coleta, tratamento e condução de esgotos, ou de distribuição de água tratada, são operados pela iniciativa privada. Os outros 95% estão a cargo do Estado.

Pronto: será que é mesmo preciso saber muito mais que isso para entender por que 50% da população brasileira, ou mais de 110 milhões de pessoas de carne e osso, não tem acesso a nenhum tipo de esgoto? Ou por que cerca de 30% não têm água encanada?

A razão por que é o Estado que manda no saneamento é, igualmente, algo facílimo de entender: as redes de esgoto são propriedade privada e exclusiva dos políticos locais que controlam as infames “empresas públicas” autorizadas a operar na área. Em geral, os “acionistas” — isto é, quem coloca o dinheiro — são os estados e prefeituras.

Muito bem: por que os políticos abririam mão desse pernil? Não largam nem a pau. Há verbas, mas não há a obrigação de fazer as obras. É o melhor dos mundos. O dinheiro público destinado ao saneamento básico vai para a tropa que manda nas companhias estatais da área — onde emprega parentes, escolhe fornecedores, arma negociatas, se cacifa para ganhar eleições etc.

Em compensação, não há saneamento público para 110 milhões de infelizes. É por isso que há tanta resistência na Câmara e no Senado à privatização do setor. Não deixam ninguém fazer, pois querem continuar não fazendo.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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