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“O Centrão não vai afundar junto com o Bolsonaro”, afirma Boulos

Candidato que disputou a prefeitura de SP esteve em Brasília para inaugurar unidade do Cozinha Solidária, projeto social tocado pelo MTST

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Fábio Vieira/Especial Metrópoles
Guilherme Boulos (PSOL), candidato à prefeitura de São Paulo, durante coletiva de imprensa sobre as alianças partidárias 1
1 de 1 Guilherme Boulos (PSOL), candidato à prefeitura de São Paulo, durante coletiva de imprensa sobre as alianças partidárias 1 - Foto: Fábio Vieira/Especial Metrópoles

Candidato que disputou o 2º turno para a Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSol) afirmou, neste sábado (10/4), que o projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados que permite à inciativa privada comprar vacinas diretamente com os laboratórios é uma “excrecência, um escândalo”.

A matéria é defendida por integrantes do chamado Centrão, partidos que dialogam com ambas extremas alas ideológicas e que abrigam o maior número de parlamentares no Congresso Nacional.

Durante entrevista ao Metrópoles, Boulos argumentou que o debate da proposta para a compra de vacina por empresários não surgiu em nenhum país do mundo e defendeu que o texto seja rejeitado pelo Senado Federal.

“Na prática, é um fura-fila e é permitir que as pessoas tenham acesso à vacina de acordo com sua condição econômica. Isso é quebrar todo o princípio de isonomia estabelecido pelo Sistema Único de Saúde. É dizer que uma vida vale mais que a outra”, defendeu. “Quer dizer, é escandaloso, é de uma falta de sensibilidade, de humanidade, é a expressão de um atraso de um setor da elite brasileira. Eu espero verdadeiramente que não seja aprovado”, criticou.

Boulos também avaliou que a proximidade do Centrão com o presidente Bolsonaro tem data de validade e que os apoiadores devem abandonar o projeto político do mandatário da República para não sofrerem impactos negativos nas eleições estaduais do ano que vem.

“É verdade que o Bolsonaro ajudou a eleger Arthur Lira [PP-AL] e o Rodrigo Pacheco [DEM-MG], óbvio, o Brasil todo sabe disso. É verdade que o Bolsonaro deu um novo cargo para o Centrão, para o PL, para o Valdemar Costa Neto, na semana passada, mais um ministério para poder acalmar o apetite do Centrão. Mas é verdade, igualmente, que o Centrão se move pela perspectiva de reeleição dos deputados. Eles não vão afundar junto com Bolsonaro. Se o Centrão perceber que o Bolsonaro está afundando — e está —, não vai afundar junto”, disse.

Assista à entrevista:

CPI

De acordo com o político, a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações do governo federal durante a pandemia da Covid-19 está mais do que justificada se olharmos o número de mortos pela doença.

“Nós temos quatro mil mortes por dia e, se isso não é motivo para uma CPI, eu não sei o que é. Porque não são apenas as mortes como um fenômeno natural. As mortes no Brasil seriam evitáveis. Está claro para todo mundo que olha, basta observar o cenário mundial. O mundo todo está com a curva descendo e o Brasil está com a curva explodindo. Não é por acaso”, disse.

O político também afirmou que a comissão pode ser “o ponto de partida” para a abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro.

“Sempre que teve impeachment no Brasil, começou com uma CPI. Então, é importante que a CPI da Pandemia coloque à mesa verdadeiramente as responsabilidades do Bolsonaro, do seu governo, em relação às mortes e ao descontrole da Covid no Brasil e que aponte para um processo jurídico e político, que é o processo de impeachment do Bolsonaro”, frisou.

Segundo pontuou, embora reconheça o início das articulações para a campanha presidencial do ano que vem, Boulos chamou a atenção para o presente, não apenas da esquerda, mas também dos opositores do atual presidente.

“Existem condições, no Parlamento inclusive, para um processo de impeachment e para uma denúncia contra Bolsonaro ir adiante. Só não existem condições de rua, porque hoje, neste exato momento, é muito difícil fazer mobilizações de rua pelas próprias condições sanitárias, senão eu não teria a menor dúvida de que teríamos multidões nas ruas e praças deste país por conta da tragédia, do desastre, do desgoverno do Bolsonaro”, disse.

Sobre uma possível candidatura como cabeça de chapa ou para compor uma possível chapa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Boulos defendeu a unidade no campo progressista.

“Muita gente do meu partido falou, pressionou para que eu lançasse uma candidatura presidencial, colocasse esse debate, mas não fiz isso porque tenho trabalhado e vou seguir trabalhando para uma unidade do campo progressista no debate nacional. Este é o momento mais crítico da pandemia e eu acho que a esquerda precisa olhar também para 2021 e não só para 2022”, completou.

Cozinha Solidária

Guilherme Boulos esteve em Brasília para inaugurar, em Planaltina — cidade a 50km do centro da capital —, uma unidade do Cozinha Solidária, projeto tocado pelo Movimento dos Sem Teto (MTST) e que fornece refeições prontas para a população mais carente.

“O país que é um dos maiores exportadores de alimento do mundo tem quase 20 milhões de pessoas passando fome. A gente vê essa realidade todos os dias. Quem mora numa grande cidade brasileira, aqui em Brasília, São Paulo, Rio, qualquer lugar, vê criança no semáforo com papelão pedindo comida, pedindo R$ 1, pedindo pão. O cenário está muito grave”, alertou.

“Como o governo federal não tem nenhuma política nesse sentido, ao contrário, cortou o auxílio emergencial no momento mais dramático da crise e agora retoma com valor insuficiente. Eu quero ver se o Paulo Guedes [ministro da Economia] ou se os filhos do Bolsonaro vivem com R$ 250 por mês. Não está dando quase para comprar um botijão de gás”, finalizou.

Guilherme Boulos inaugura Cozinha Solidária em Planaltina (DF)

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