Após atualização, Rollemberg vira “ficha suja” em aplicativo

Além da mudança no status do governador, Eliana Pedrosa fica sem processo e Frejat aparece com apenas uma ação no Detector de Corrupção

atualizado 03/05/2018 23:33

Michael Melo/ Metrópoles

Depois da grande repercussão no meio político do Distrito Federal após a divulgação do aplicativo Detector de Corrupção, uma atualização no sistema mudou o status de alguns envolvidos.

Até então registrado sem processos de corrupção e ações de improbidade administrativa na ferramenta, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) agora amarga estar entre os fichas-sujas da política local.

Com a atualização, o app divulga que o chefe do Executivo é réu em ação de improbidade administrativa “devido à aprovação de leis de renúncia fiscal que não atenderam às previsões da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Constituição Federal”.

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Por outro lado, dois possíveis adversários no projeto de reeleição do atual chefe do Executivo tiveram as informações “aliviadas” pela plataforma.

Pré-candidata pelo Pros ao Palácio do Buriti, Eliana Pedrosa passou a ser ficha-limpa, segundo informações recentes do Reclame Aqui, desenvolvedor da plataforma. “Agora, as coisas estão em seu devido lugar. Está tudo dentro da mais perfeita ordem e verdade”, disse a ex-distrital.

Até então com três processos, o ex-secretário de Saúde e também pré-candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) Jofran Frejat (PR) reduziu seu status para uma única ação, visto que já havia sido absolvido em processos listados anteriormente. Em contato com a coluna, o médico criticou a falta de atualização do aplicativo. “Isso é criminoso. Um instrumento que diz estar ao lado do povo não pode ser seletivo dessa forma”, disparou.

Antes de aparecer com ação de improbidade contra o governador, o secretário de Comunicação do DF, Paulo Fona, afirmou que o resultado demonstrava o não envolvimento de Rollemberg em qualquer caso de desvio de recursos públicos.

A equipe do governo chegou a publicar a imagem anterior do nada-consta de Rollemberg no Facebook, mas logo o post foi apagado, com a mudança de status.


Atualizações

Em contato com a reportagem, o diretor de marketing do Reclame Aqui, Felipe Paniago, explicou que as informações do aplicativo são atualizadas de forma manual, com a equipe de banco de dados consolidando informações oficiais e públicas sobre o histórico judicial de políticos. “Elas estão pulverizadas em diversas instâncias, tribunais federais e estaduais, como STJ, STF, TJs, TRFs”, afirma.

Segundo Paniago, entre políticos com dívidas na Justiça e os que ainda aparecem em denúncias dos tribunais, são mais de 850 cadastrados. “Atualmente, temos todos pré-candidatos para a Presidência e a governador. O objetivo é ter todos os candidatos para presidente, governadores e senadores até as eleições”, adiantou. O porta-voz do aplicativo confirma que os aspirantes a deputados federais e estaduais devem fazer parte do app após concluída a atual fase.

Até agora, conforme informado, o aplicativo já passou de 10 mil downloads, somando-se iPhones e outros smartphones.

Nota do governo
Procurado pelo Metrópoles, o secretário enviou nova nota durante a noite desta quinta (3/5), na qual contesta as informações do aplicativo.

Confira a íntegra do documento:

“Em relação à Ação de Improbidade Administrativa nº 2016.01.1.102519-0, mencionada equivocadamente no aplicativo ‘Detector de Corruptos’, não trata de desvio de dinheiro público ou conduta que possa ser entendida como corrupção ou ilícito de qualquer natureza.

A ação aponta suposta irregularidade formal na realização do Refis/2015, programa realizado em parceria entre o GDF, CNJ e TJDFT, implementado em benefício da população, que teve a possibilidade de renegociar as suas dívidas com o GDF e incrementar vigorosamente a arrecadação dos cofres públicos em momento de grave crise fiscal.

O sucesso do programa levou o CNJ a premiar o projeto e instituir, de forma permanente, o mesmo modelo nos demais estados da Federação.

O Refis/2015 foi o maior e melhor programa de recuperação fiscal já realizado no DF, atendendo cerca de 37 mil contribuintes, resultando em 71 mil processos arquivados ou suspensos, e numa arrecadação recorde de mais de R$ 1,6 bilhão.

Além de ter a sua constitucionalidade reconhecida à unanimidade pelo TJDFT, o próprio TCDF aprovou com ressalvas as contas de 2015 do Governo do DF, fazendo meras recomendações de aprimoramento para futuros programas dessa natureza.

Até a presente data, a referida ação sequer foi recebida pelo juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública do DF, estando na fase de defesa prévia.”

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