Rodízio de Ozempic: restaurantes criam promoção para quem usa canetas
As caneta emagrecedoras têm mudado o consumo nos restaurantes; alguns restaurantes oferecem desconto em rodízio e outros reduziram porções
atualizado
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A popularização dos medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic, Wegovy e similares, está transformando os hábitos alimentares e afetando o consumo fora de casa. E o impacto, como era de se esperar, chegou à mesa. Restaurantes estão adaptando seus cardápios, oferecendo porções menores e fazendo promoções para atender a esse público, que acaba comendo menos por conta da ação do fármaco.
Recentemente, o dono de uma pizzaria de São Paulo viralizou nas redes sociais por anunciar um desconto de 15% para usuários de canetas emagrecedoras em seu tradicional rodízio, uma vez que o comensal naturalmente iria comer menos pedaços. “Traga sua receita e aproveite”, destacou o empresário.
O rodízio paulista não foi o primeiro a tomar a medida. Um restaurante de Nova York lançou uma campanha promocional e escreveu algo como “teeny-weeny mini meal” (algo como “minirrefeição bem pequenininha”). Por apenas US$ 8 (R$ 43,40), os clientes levam um minihambúrguer em tamanho petisco, algumas batatinhas e uma minibebida que pode ser cerveja, margarita ou vinho.
A iniciativa busca tornar o cardápio mais acessível e não perder clientes, em um cenário de menor consumo. Um levantamento da plataforma Conexa Saúde revelou que o Brasil ocupa atualmente o segundo lugar no ranking mundial de buscas pelos termos Ozempic e Mounjaro, dois dos medicamentos mais conhecidos da classe GLP-1.
Nos Estados Unidos, por exemplo, onde cerca de 10% da população faz uso do Ozempic, metade passou a sair menos para comer, e 63% reduziram o tamanho das porções, segundo pesquisa da Bloomberg em parceria com o Morgan Stanley.

Restaurantes investem em porções menores
Para continuar atraindo o público e não perder receita, alguns restaurantes estão apostando em cardápios alternativos, promoções e pequenos combos para os usuários dos medicamentos.
“Porções menores podem reduzir o ticket médio, mas também permitem ajustar preços e margens, além de incentivar o consumo de acompanhamentos e bebidas. Na operação, simplificam a produção, reduzem desperdícios e exigem revisão das fichas técnicas e do planejamento de compras”, defende, em artigo, Adriana Lara, líder de Educação e Produtividade da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
Segundo ela, pratos mais ajustados à real necessidade do cliente “reduzem sobras no prato e perdas na cozinha, ajudando a enfrentar um dos maiores problemas dos negócios.”


No Brasil, alguns estabelecimentos de já oferecem meia porção, pratos individuais ou menus degustação mais curtos, ainda que não diretamente associados ao consumo do remédio.
Controvérsia entre chefs
Apesar disso, nem todos são a favor. O chef de cozinha Gordon Ramsay já deixou deixou claro que não pretende mudar os cardápios de seus restaurantes para atender pessoas que utilizam injeções para emagrecer, como o Ozempic.

Em uma entrevista ao The Sunday Times, o cozinheiro e estrela de reality show de 59 anos respondeu com seu já conhecido temperamento explosivo: “Não há a menor chance de servirmos um menu degustação Ozempic só para você se sentir menos como um g0rdo(a) do c4ralho às 10h30 da noite.”
Os comentários de Ramsay vieram após o chef Heston Blumenthal anunciar uma experiência gastronômica “consciente”, com porções menores, em seu restaurante, o F4t Duck.
