Fogaça explora protagonismo do sal em novo livro: “É democrático”

Em entrevista ao Metrópoles, o famoso chef fala sobre o processo produtivo do livro e a importância do sal

atualizado 05/01/2022 16:41

Na foto, o chef Henrique Fogaça joga sal no chãoDivulgação

Henrique Fogaça é, como muitos chefs, um profissional multitarefas. Além de comandar as caçarolas de alguns restaurantes, ele ainda está em uma banda e, agora, lançou o segundo livro. Chamado de O Mundo do Sal, o exemplar o protagonismo do sal na cultura, economia, política, crenças, religiões, saúde e nas diferentes culinárias do mundo em 5.000 anos da história da humanidade.

Junto com o jornalista Rogerio Ruschel, Fogaça explora curiosidades do ingrediente que já serviu de moeda, criou estradas e cidades, financiou guerras e garantiu a economia de impérios. Abordam também como o sal está presente em quase todas as religiões e em crendices populares e simpatias. Único mineral que os seres humanos comem, o sal é um produto democrático, já que é um dos poucos alimentos que entram na casa de todos, todos os dias, em todos os países, independente de raça e classe social.

Publicado pela Editora Essential Idea, o livro apresenta, ainda, 45 receitas criadas pelo chef em pratos para diferentes comemorações (com algumas disponíveis até em vídeo, via QR Code). A obra está disponível na versão impressa ou em e-book em livrarias do Brasil, nos restaurantes Sal Gastronomia e Cão Véio, lojas especializadas de gastronomia e no site da Essential Idea Editora.

Para falar um pouco mais sobre o exemplar, o Metrópoles conversou com Fogaça sobre o processo produtivo, além da importância do ingrediente que inspirou o livro. Confira:

Como surgiu a ideia de escrever o livro e qual o motivo da escolha do tema girar em torno do sal?

Surgiu de uma troca com a editora Essential Idea, estávamos conversando como a minha empresa e restaurantes que já homenageiam o sal como eixo da gastronomia, a partir daí foi feito uma pesquisa que mostrou que não havia um livro com o formato que pensamos – mostrando 5.000 anos de protagonismo do sal na vida da humanidade na cultura popular, cultura geral, religião, alimentação, geografia, história e uso industrial do sal.

Então começamos a pensar sobre os temas relacionados e decidimos incluir um “plus” com a curadoria e as receitas feitas por mim. O livro é divertido, didático e útil, com interesse para profissionais da culinária e para amadores que curtem descobrir esse tipo de curiosidade.

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Como foi o processo produtivo? Alguma parte da criação foi novidade para você?

Foi um processo de muitas trocas, estudos… e me surpreendi com as descobertas do sal envolvendo momentos políticos e culturais da humanidade. Eu tinha uma noção, já era interessado pelo assunto, mas nunca tinha me aprofundado tanto, e descobrir/escrever sobre a importância do sal e como é essencial para nossa existência foi bem bacana e novo para mim.

Qual você acha que é o diferencial da publicação?

Além do conteúdo e abordagem totalmente inéditas, exploramos um outro viés sobre o alimento mais consumido do mundo, o livro apresenta uma linguagem simples, gostosa de ler, com receitas inéditas… apesar de ser um livro sobre um assunto bastante importante para toda a humanidade, não só como alimento, mas para a história da civilização, buscamos trazer uma linguagem bem simples, didática e divertida, para que qualquer pessoa consiga ler e entender sobre o que estou falando. Além disso, as receitas que incluí no livro estão bem bacanas e conversam com a história que está sendo contada.

Qual é, para você, a importância do sal para a gastronomia? E para a sua vida?

A contribuição do sal é importante não só para a gastronomia, mas para com a humanidade pois teve influência na política, na economia, na cultura e na sociedade. Mas na gastronomia, o sal é um dos elementos mais importantes, é o que dá sabor aos pratos, sem ele, não existiriam diversas receitas com sabores diferentes.

Eu sou supercurioso e cuidadoso com cada ingrediente que utilizo nas minhas receitas, e o sal sempre foi um item muito valioso nos preparos, gosto de usá-los das mais variadas formas. E para a minha vida, o sal é essencial, afinal, de que vale um prato se não tem sabor?

Agora que lançou um livro, quais os planos para o futuro? Pretende lançar mais ou focar nos restaurantes?

Esse é o meu segundo livro, em 2017 eu lancei o Um Chef Hardcore com relatos autobiográficos, e, dessa vez, em O Mundo do Sal eu falo sobre uma das minhas curiosidades na cozinha. Ainda tenho muitas coisas que gostaria de falar, mas o que posso adiantar no momento é que também estou no projeto Probl3ma, coletivo de músicos, artistas gráficos e skatistas que fazem arte em prol de comunidades menos favorecidas, estou prestes a lançar um projeto de música com a banda Confesso, lancei recentemente uma linha exclusiva de utensílios para cozinha em conjunto com a Yangzi, além da colab entre a Mad Rats e minha banda Oitão – lançamos um tênis exclusivo.

No mais, meu foco é continuar meus projetos como o Masterchef, a minha banda Oitão, os restaurantes e o Instituto Olívia, que pretendo inaugurar em breve, com o objetivo de promover e democratizar o uso de medicamentos derivados da cannabis.

Por aqui, o Cão Veio é sucesso. Como você vê essa receptividade do público brasiliense a sua gastronomia?

Eu acredito muito que comida não deve ser um item de luxo, gosto muito de inovar e apresentar sabores diferentes, mas principalmente, humanizar meus restaurantes. E acho que é isso que torna os restaurantes, principalmente o Cão Veio, neste caso, ter uma receptividade tão boa, é um lugar que as pessoas vão para comer uma boa comida, apreciar momentos e sabores inesquecíveis que ficam registrados na memória.

Você cuida de diversos restaurantes, além da banda e, agora, dos livros. Como consegue conciliar o tempo?

Eu sou muito agitado, não consigo ficar parado ou fazendo somente a mesma coisa por muito tempo, por isso eu busco empreender nas áreas que eu mais amo, então, para mim, é muito bom poder trabalhar com gastronomia, música, beleza, e outras áreas que realmente são importantes para mim. Mas eu gosto muito de separar a vida pessoal da profissional, tenho meus amigos e sócios que compartilham empresas comigo, mas gosto de, às vezes, me juntar com eles apenas para conversar sobre assuntos aleatórios que não sejam negócios.

Para mim é importante ter um momento para a família, aproveitar meus filhos e ficar o tempo que for necessário com eles, me dá um gás para voltar e continuar trabalhando muito, mas para mim, o que eu faço é muito prazeroso. E claro, conto com um time de peso que me ajuda a fazer tudo dar certo!

O Mundo do Sal: história, cultura e receitas do chef Henrique Fogaça

O Mundo do Sal: história, cultura e receitas do chef Henrique Fogaça
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