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O Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, recebeu, entre 7 e 9 de fevereiro, quatro campeonatos nacionais de barismo: Barista, Latte Art, Brewers e Coffee in Good Spirits. Deste último, participou Daniel Viana, o único brasiliense que topou tentar um dos títulos. O esforço não veio sem recompensa: depois de anos sem competir, ele traz a Brasília o terceiro lugar no Coffee in Good Spirits.

Fases
Na fase classificatória da competição, o barista deve apresentar aos juízes, em 10 minutos, um drinque alcoólico quente com café e um drinque alcoólico frio com café, todos autorais. Os detentores das seis maiores pontuações passam para a final, quando terão o mesmo tempo para apresentar uma bebida quente ou fria, à sua escolha, e um clássico irish coffee.

Uma característica comum à maioria dos baristas que participam desses campeonatos é o tremor nas mãos durante a execução dos drinques: com o relógio correndo, a exigência de falar sem parar durante a apresentação e o rigor exigido pelos juízes contribuem para o nervosismo.

Cristiane Zancanaro/Divulgação

Daniel Viana e seu troféu: 3º lugar no Coffee in Good Spirits

“A gente treina, faz de tudo, mas na hora é imprevisível. Eu fiquei ainda mais nervoso na final, na hora de servir o irish coffee. É uma bebida muito técnica, o creme não pode ser misturado com o café e qualquer tremedeira atrapalha”, descreve Daniel.

Autorais
Para os drinques autorais, Daniel decidiu valorizar a região do Planalto Central. A bebida quente consistiu de um espresso duplo – elaborado com grãos da cafeicultora Cristiane Zancanaro, do cerrado goiano –, xarope de buriti, a cachaça artesanal Caialua, de Formosa (GO), e leite de coco. Para a bebida fria, uma mistura de brandy nacional, xarope de cereja artesanal de fabricação própria, mais café goiano, limão e licor de laranja.

O primeiro lugar da competição ficou por conta de Gabriel Guimarães, barista da Unique Cafés em São Lourenço (MG). Ele vai representar o Brasil no campeonato mundial da categoria, que acontece em junho, em Berlim. Em segundo lugar ficou o curitibano Juliano Lamur, do Bunker Motor Coffee.

Com o título nas mãos, Daniel volta para Brasília e vai incluir os drinques no cardápio das duas empresas das quais é sócio: a Ristretto Café Bar, de eventos, e no Martinica Café, na Asa Norte. “Pretendo continuar competindo. Como dou aula de barista, também estou pensando em puxar esse lado dos drinques alcoólicos nos meus cursos, assunto que ainda não é muito abordado nas aulas de barismo em Brasília”, planeja.