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O vinho é globalmente conhecido e produzido em diversas regiões. O terroir é capaz de acrescentar características únicas à bebida. Outras peculiaridades são o tipo da uva, a safra, a vinícola produtora e a gradação alcoólica. Esses pontos mudam de acordo com cada país. Em clima de Copa do Mundo, o Metrópoles propõe o desafio: no universo da enologia, quem seria o campeão?

Para avaliar esse (delicioso) confronto, sommeliers foram convocados.

Antes dos enfrentamentos, vamos ao regulamento. Na primeira etapa, cinco especialistas convidados (Leonildo Santana, Fabiano Lopes, Fernando Rodrigues, Aurélio Moraes e Joaldo Lima) elegeram os melhores vinhos dos seguintes países Rússia, Japão, Alemanha, Brasil, Austrália, Bélgica, Uruguai, Portugal, Espanha, França e Argentina.

Confira a relação: 

 

Para a segunda fase, o sommelier Rodrigo Leitão selecionou o melhor de cada um dos países. O principal critério avaliado foi a acessibilidade dos vinhos. Em outras palavras, são bebidas fáceis de serem encontradas nas lojas especializadas – afinal, você, caro leitor, pode tentar fazer sua versão do campeonato.

Veja os representantes dessa Champions League dos vinhos:

Uruguai: Pizzorno Primo 2011
Portugal: Adega Borba Reserva
Espanha: Contador 2007
Austrália: Grange Shiraz 2005
França: Montirius Vacqueyras Les Clos
Argentina: Obra Prima Malbec
Brasil: Innominabile Lote V, 2004
Alemanha: Zeltingen Riesling S – 0 QBA Trocken Bomer 2015 Selbach Oster
Bélgica: Château Bon Baron 2014
Japão: Magrez-Aruga Koshu 2015
Rússia: Pinot Noir com Merlot da Adega Fanagoria

Dentre os países, de acordo com a maioria dos sommeliers, Rússia, Bélgica e Japão ainda não configuram referências na cultura de produção de vinho. Por conta da dificuldade em a avaliar as bebidas dessas nações, os rótulos “caíram” logo na segunda fase.

Na terceira e última etapa, chegamos ao mata-mata. O especialista Antônio Duarte, após muitos cartões vermelhos, faltas e dribles, decretou o grande campeão. Quer descobrir? Então, vamos aos jogos da Copa do Mundo dos vinhos.

Arte/Metrópoles

 

Quartas de final
Um jogo duro e importante abre o mata-mata: Uruguai x Portugal. O vinho Adega Borba exprime bem o caráter dos vinhos alentejanos: macio, levemente adstringente e equilibrado. Reserva rótulo de cortiça, que apesar de ser produzido por uma cooperativa, é de excelente qualidade.

O uruguaio Pizzorno Primo 2011 é um corte de tannat, cabernet sauvignon e merlot – aromas complexos, com excelente corpo e harmonia dos taninos. O sommelier achou difícil a escolha, mas Portugal foi o responsável pelo golaço: graças ao preço (um terço do Pizzorno).

França e Brasil já protagonizaram jogos históricos: em 1986, 1998 e 2006, saímos derrotados pelo esquadrão de Platini e Zidane. E nos vinhos?

O Innominabile Lote V 2004, produto da nova região vinícola da Serra Catarinense, escala uma assemblage de sete uvas (Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Petit Verdot, Pinot Noir e Marselan). O resultado é uma a bebida bem estruturada, um vinho de guarda, persistente em boca.

Já o francês Montirius Vacqueyras Les Clos, do Rhône Sud, com 50% de Grenache e 50% de Syrah, é um vinho pronto para beber. No entanto, segundo nosso sommelier, o brasileiro vence o duelo pelo poder de guarda: em outras palavras, tem maior longevidade.

Assim como no futebol, Alemanha e Espanha protagonizam duelo forte entre duas escolas clássicas. Nos vinhos, a Fúria Espanhola ganha a disputa com o Contador 2007 – potente bebida e com bom poder de guarda. O rótulo ganhou fama mundial quando o renomado crítico mundial Robert Park lhe atribuiu à nota máxima, 100 pontos, nas safras 2004 e 2005

Se a disputa fosse entre as quatro linhas, uma vitória da Austrália sobre a Argentina seria uma baita zebra. Porém, no campo das parreiras e barris de carvalho, o vinho Penfolds Grange Shiraz 2005, um dos melhores da Oceania, garante a vitória com suas uvas 100% Syrah.

Semifinal
Uma semifinal entre Brasil e Portugal colocaria Neymar e CR7 de frente. Nos vinhos, a vantagem é lusitana: o Adega Borba Reserva venceu, pois é mais estruturado – porém, o jogo foi decidido nos últimos goles.

A rivalidade entre Espanha e Austrália foi quente na partida. Mas o vinho da Oceania marcou cedo a administrou o resultado. A bebida australiana é mais potente: vitória!

Final
A taça, então, é disputada por Portugal e Austrália. O vinho Penfolds Grange Shiraz 2005 surpreende e, graças ao sabor envolvente, leva o troféu. Parabéns!