Festival de Brasília: dupla de Café com Canela volta à mostra com Ilha

Longa exibido nesta quarta-feira (19/9) é nova aposta dos diretores Ary Rosa e Glenda Nicácio, vencedores pelo júri popular em 2017

atualizado 18/09/2018 11:44

Divulgação

A quinta noite da Mostra Competitiva do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizada no Cine Brasília (106/107 Sul), nesta quarta-feira (19/9), contará com a exibição do longa dos diretores premiados na edição passada, Ary Rosa e Glenda Nicácio. Com Ilha (BA), os cineastas tentam repetir o mesmo feito de Café com Canela, obra eleita melhor filme pelo júri popular (Prêmio Petrobras) em 2017.

“Retornar ao Festival de Brasília é dar continuidade ao nosso processo de produção, já que a obra só se realiza mesmo enquanto filme, depois de se encontrar com o público. É também o lugar onde iniciamos nossa experiência entre filme e espectador, podendo entender melhor as trocas com a plateia e com a crítica”, afirma Glenda Nicácio, durante entrevista ao Metrópoles.

Na trama do longa, um jovem da periferia sequestra um premiado cineasta com o intuito de obrigá-lo a fazer um filme sobre sua história na Ilha. Juntos, eles reencenam a própria vida, com algumas licenças poéticas. O plano começa e, a partir de então, não há mais limites, afinal, cinema também é jogo. “Esperamos que seja um filme que gere diálogos, consigo, com o outro, com a forma de pensar o fazer cinema no mundo”, considera Glenda.

A diretora conta que, desde 2010, participam de projetos de cinema e educação nas escolas da rede pública da Bahia. E, justamente dessa bagagem, nasceu a ideia do roteiro de Ilha. “Já fazia um tempo que queríamos falar sobre os encontros dentro do fazer fílmico. De refletir o cinema para além da arte e atravessando as questões sociais e culturais”, explica.

Filmado na região do Recôncavo e do Baixo Sul da Bahia, em setembro de 2017, Ilha traz o mesmo elenco de Café com Canela. “Uma continuação das relações e experiências apreendidas nesse nosso primeiro filme, e para nós isso é muito importante. Foi um processo muito prazeroso, de imersão”, ressalta a cineasta.

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Legado do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
De acordo com os cineastas, a ida de Café com Canela para o circuito comercial é fruto, também, do Prêmio Petrobras de Cinema, concedido pelo júri popular do Festival de Brasília, que garantiu a distribuição. “Na edição passada nós estávamos estreando Café com Canela e parte da equipe estava em set, gravando Ilha. Esse ano, retornamos ao Festival de Brasília com Ilha, e com Café com Canela em cartaz nas salas de cinema do país”, conta Glenda.

Para a baiana, o modelo de construção da obra a duas mãos também é um dos responsáveis pelo sucesso da parceria – experimentada em Brasília – entre ela e Ary Rosa. “Nós compartilhamos todas as ações nas diferentes etapas, do roteiro à finalização do filme, as decisões são pensadas juntas, o que faz com que nós dois consigamos construir um mesmo filme, caminhar numa mesma direção”, conclui.

Curta da noite
Antes de Ilha, Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia irão representar o Distrito Federal com o curta-metragem Aulas que Matei (DF). A primeira parceria de Devulsky e Garcia aconteceu em 2016, com Fantasma Cidade Fantasma (2016).

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Em comum, os dois cineastas são inspirados por trabalhos sociais que realizam: ela, como criadora e editora do projeto feminista Verberenas, e ele, integrante do Inventar com a Diferença – realizado em escolas públicas do DF.

51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Nesta quarta-feira (19/9), no Cine Brasília (106/107 Sul). Mostra Competitiva: às 21h, Aulas Que Matei (DF, 12 anos, 24min) e Ilha (BA, 16 anos, 94min). Preço: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Valores sujeitos a alterações sem aviso prévio). Informações: (61) 3244-1660 ou festivaldebrasilia.com.br

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