Após feitos históricos, Rio-2016 ficará marcada por vários recordes

Número deve crescer até domingo (21/8), principalmente por causa de Usain Bolt e do atletismo. Destaque é o ciclismo

atualizado

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O Globo
thiago braz
1 de 1 thiago braz - Foto: O Globo

Os Jogos Olímpicos do Rio nem tinham sido declarados abertos e recordes já estavam sendo quebrados. O sul-coreano Kim Woojin estabeleceu novas marcas mundial e olímpica no tiro com arco na manhã de sexta-feira (5/8), horas antes da cerimônia de abertura. Desde então, outros 107 recordes foram quebrados – e contando. O número deve crescer até domingo (21), principalmente por causa de Usain Bolt e do atletismo. Mas o destaque é o ciclismo.

Foram estabelecidos 26 novos melhores tempos no ciclismo de pista no Rio, entre recordes mundiais e olímpicos. É um número 30% maior do que as 20 quebras registradas em Londres-2012 e 550% superior às quatro de Pequim-2008. Vários fatores contribuíram para o recorde de novos recordes: mais e novas provas e – dizem atletas e especialistas – o próprio velódromo.

Novo recordista olímpico do sprint por equipes masculina, o britânico Phil Hindes decretou. “Recordes olímpicos e mundiais estão sendo quebrados, é um velódromo rápido”. Ainda na fase de treinos, o australiano Patrick Constable explicou que cada pista é diferente, “e esta é definitivamente das boas”.

Duas variáveis são chaves para aumentar a velocidade das bicicletas em um velódromo: o piso e o ar. Não pode haver correntes de vento, e temperatura e umidade devem ser mais altas do que nas outras arenas. Isso diminui a densidade do ar e, por consequência, a resistência aerodinâmica do ciclista.

O piso é de pinho-siberiano, a madeira mais adequada para o ciclismo. No caso da do Rio, ela está lisa e sem ondulações. Mas antes de a competição começar, ciclistas como a campeã alemã Kristina Vogel estavam preocupados com o acúmulo de poeira e com o fato de a pista ser muito nova, o que poderia fazer com que a madeira não estivesse totalmente acomodada. A preocupação não se confirmou e os recordes foram sendo sucessivamente quebrados.

Nas primeiras três horas foram nove quebras: oito olímpicas e uma mundial. Mais do que o velódromo, o que provocou a chuva de novas marcas naquele dia foi a mudança da prova de perseguição por equipes feminina. Com uma ciclista a mais por time e um quilômetro mais longa, seu recorde estava zerado. Assim, praticamente a cada equipe que entrava no velódromo, um novo recorde era estabelecido. Foram seis em menos de duas horas.

Apesar das quebras sucessivas de um mesmo recorde, a rapidez do velódromo e a habilidade dos ciclistas, principalmente dos britânicos, foi o que fez a principal diferença no final. Nada menos do que dez novos recordes de ciclismo de pista foram estabelecidos em seis dias de competição no Rio-2016.

No masculino, as novas marcas mundiais ou olímpicas quebradas foram de velocidade individual, perseguição individual, sprint por equipes e perseguição por equipes. No feminino, velocidade individual, sprint por equipes (mundial e olímpico) e perseguição por equipes (mundial e olímpico). A Grã-Bretanha foi a maior vencedora e a maior recordista, como em Londres.

Natação
Como sempre, a natação registrou o maior número absoluto de quebras de recordes, porque tem um grande número de provas: 31. Mas foram menos do que as 34 de Londres e as 88 de Pequim. Em 2008, dois fatores provocaram a explosão de novos recordes: os trajes tecnológicos dos nadadores (banidos logo depois) e a piscina, que pela primeira vez em uma olimpíada tinha 3 metros de profundidade e sistema anti-ondas nas bordas.

A piscina da Rio 2016 tem a mesma tecnologia e é tão rápida quanto as de Pequim e Londres. Mas não teve nenhuma novidade relevante em relação às duas anteriores. Além disso, há uma transição entre as gerações de Michael Phelps e de Katie Ledecky na equipe norte-americana. Enquanto ela quebrou quase tudo que tinha para quebrar, o maior nadador de todos os tempos ganhou seis medalhas, mas não estabeleceu novas marcas individuais.

Mesmo assim, os nadadores cravaram no Rio 20 novos recordes: 13 olímpicos e 7 mundiais. Entre eles, novas marcas para o revezamento dos 4×100 metros medley masculino (EUA), os 100 metros borboleta masculino (EUA), os 200 metros peito masculino (Japão), os 100 metros peito masculino (Grã-Bretanha), os 100 metros costas masculino (EUA), o revezamento 4×100 metros feminino estilo livre (Austrália), os 200 e os 400 metros medley feminino (Hungria) e o festival de recordes de Katie Ledecky.

O atletismo tem mais quatro dias de competições e novas quebras de recordes devem ocorrer. Até agora foram registradas 60% a mais do que em Londres: 8 a 5 – como a do recorde olímpico do salto em altura, quebrado pelo brasileiro Thiago Braz. Além desse, foram estabelecidos novos recordes olímpicos e mundiais para os 10 mil metros para mulheres, dos 400 metros para homens, do arremesso de martelo para mulheres – e o recorde olímpico dos 3 mil metros com obstáculos para homens.

As 109 quebras de recordes registradas até agora do Rio-2016 já equivalem ao número total registrado em Londres, mas estão abaixo das 168 de Pequim. Este é um número que dificilmente será batido, por causa do efeito tecnológico dos trajes da natação naquela competição.

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