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O Ministério do Interior da Rússia abriu inquérito formal contra os brasileiros que, nos primeiros dias da Copa do Mundo sediada no país, constrangeram uma mulher em Moscou, em atitude difundida por vídeo publicado na internet. A decisão do governo foi uma reação à denúncia apresentada pela advogada e ativista russa Alyona Popova. Em carta endereçada a ela, a polícia da capital russa confirmou o início das investigações.

O documento é de 2 de julho de 2018 e indica que um registro especial foi dado ao caso, no Ministério do Interior.

As autoridades tinham um mês para dar uma resposta à ativista, o que significava que tinham um prazo até 20 de julho para tomar uma decisão. Mas anteciparam o processo e, em apenas dez dias, optaram por iniciar o caso.

Na carta enviada ao governo, a ativista considerava que “cidadãos estrangeiros deveriam pedir desculpas publicamente, e para a menina, e a todos cidadãos russos diante do sexismo, da falta de respeito às leis da Federação Russa, o desrespeito por um cidadão russo, insultos, humilhação da honra e dignidade de um grupo de pessoas com base em seu gênero.”

Em caso de condenação, os brasileiros podem sofrer sanções que vão desde multas até proibição de voltarem a entrar em território russo.

Na comunicação ao governo datada de 20 de junho, Popova cita artigos das leis russas que apontam para punições quanto à humilhação ou insulto. Neste caso, a multa pode chegar a 3 mil rublos (cerca de R$ 175). Mas também existiria a possibilidade de que os brasileiros sejam denunciados por violência da ordem pública e abusos sexuais.

Uma responsabilidade criminal apenas poderia ser atribuída se ficar constatado que o ato tem uma relação com discriminação de sexo, de raça ou nacionalidade.

Em um texto publicado pela ativista, ela alerta que um dos envolvidos tinha um cargo público e que “não podem humilhar” a mulher russa. Ela se referia ao tenente da Polícia Militar de Santa Catarina Eduardo Nunes, um dos identificados no vídeo. Segundo a advogada, a ofensa tem uma relação direta com “nacionalidade e gênero”. “Gostaria que esses cidadãos fossem punidos”, escreveu.

Na semana passada, o CEO da Copa do Mundo, Alexey Sorokin, surpreendeu ao dizer que desconhecia os casos de assédio sexual por parte dos torcedores.

“Eu desconheço o tema. Não acho que isso seja um problema enorme, não ocorreu tanto”, tentou minimizar Sorokin. Na sequência, o CEO da Copa tentou mudar o um pouco o tom da sua resposta e disse esperar que “todos tenham respeito, sem distinção entre homens, mulheres e crianças”.

“Cortesia é uma conduta básica. Em caso de condutas criminais, tomaremos medidas de acordo com as autoridades. Se quebrar as regras da lei, vão responder por isso”, disse.