Palmeiras e Flamengo concentram 24% das receitas no Brasil

A análise do Itaú BBA também mostra uma queda de quase R$ 200 milhões na receita de publicidade no futebol brasileiro

BRUNO ULIVIERI/RAW IMAGE/ESTADÃO CONTEÚDOBRUNO ULIVIERI/RAW IMAGE/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 17/07/2019 14:55

Palmeiras e Flamengo descolaram em relação aos outros times quando são analisadas as suas receitas. Foi o que apontou a Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol de 2018, realizada pelo Itaú BBA e divulgada nesta terça-feira (16/07/2019), a qual detalhou números de 27 agremiações brasileiras.

Os dois times concentram 24% das receitas desse conjunto. Palmeiras e Flamengo, porém, inverteram as posições: o paulista assumiu o topo com uma receita total de R$ 654 milhões, enquanto o carioca arrecadou R$ 536 milhões em 2018.

De acordo com César Grafietti, consultor do Itaú BBA, a tendência é a diferença aumentar. “Há um descolamento de Palmeiras e Flamengo, eles jogam uma liga diferente do ponto de vista financeiro. Há uma boa distância que deve aumentar nos próximos anos, porque o contrato de televisão, por exemplo, fica maior por desempenho e número de jogos na TV aberta. Com o clube bem financeiramente, tende aumentar o desempenho e, consequentemente, a quantidade de partidas transmitidas”, afirmou.

Apesar do aumento da arrecadação dos clubes com a cota de TV, Grafietti destaca outras fontes de receitas de Palmeiras e Flamengo como diferenciais. Ele aponta a gestão como o principal fator para as agremiações estarem estabilizadas financeiramente.

Na visão do consultor, Corinthians e São Paulo são os principais candidatos a encostar em Palmeiras e Flamengo. Até por isso que ele não acredita em “espanholação” do futebol brasileiro, uma referência ao domínio de Barcelona e Real Madrid, e sim em algo mais parecido com o que acontece na Inglaterra. “Mais clubes têm potencial. Eles precisam se equilibrar.”

A análise do Itaú BBA também mostra uma queda de quase R$ 200 milhões na receita de publicidade no futebol brasileiro. Por outro lado, os números de arrecadação com sócio-torcedor e bilheteria aumentaram. “Futebol explora pouco o que se investe em publicidade no Brasil”, disse Grafietti.

Um dos maiores problemas, na visão do consultor, é quando o clube conta com o dinheiro de venda de jogadores para manter as contas em dia. “Quando não vende, falta no caixa. Os clubes precisam de receita maior e rentabilizar a marca”, opinou.

Os 27 clubes analisados foram Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Internacional, Fluminense, Vasco, Atlético-MG, Santos, Botafogo, Athletico-PR, Bahia, Sport, Coritiba, Vitória, Goiás, Chapecoense, Ceará, América-MG, Paraná, Fortaleza, Ponte Preta, Avaí, Criciúma e Figueirense. O estudo não encontrou números do CSA.

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