Messi abre o jogo sobre possível saída do Barcelona em longa entrevista

Craque argentino não mediu palavras para falar sobre as dificuldades pessoais e financeiras do clube espanhol

atualizado 27/12/2020 20:07

David S. Bustamante/Soccrates/Getty Images

Mesmo tendo a fama de tímido, Lionel Messi não vem medindo palavras para falar sobre as dificuldades que tem passado com o Barcelona. Em entrevista publicada neste domingo pelo canal LaSexta para o jornalista Jordi Évole, o craque argentino abriu o jogo sobre diversos temas de sua carreira e de sua vida. Entre os assuntos abordados, Neymar, Suárez e sua possível saída com o clube, já no fim desta temporada.

Confira os principais trechos:

Neymar

“Vai ser difícil trazer jogadores porque falta dinheiro. Não há dinheiro. Há varios jogadores importantes para voltar a lutar por tudo e esses jogadores que você tem que pagar caro. Eu ri porque você falou do Neymar, que deve ser caríssimo por tudo o que faz. Para comprar e pelo salário”.

Suárez

“Parece uma loucura o que fizeram com Luis, falando do caso concreto dele, por como fizeram as coisas, por como ele foi embora, e porque saiu de graça pagando-lhe os anos de contrato e o deram a um time que iria lutar pelos mesmos objetivos que nós. Não só o fato de ele ter saído que já foi duro, mas também como ele saiu.

Sentimento pelo Barcelona

“Sempre disse que o Barcelona é minha vida. Estou aqui desde os 13 anos. Cresci tanto no clube, como na cidade. Tenho mais tempo vivendo em Barcelona do que no meu país na Argentina. Aprendi tudo aqui, cresci e o clube me formou como jogador e pessoa, me deu tudo e eu sempre dei tudo pelo Barcelona. Tenho uma relação de amor porque é o que vivi desde que cheguei aqui, o amor que tenho à cidade, ao clube e tudo o que tenha a ver com Barcelona. Meus filhos nasceram aqui também. Não sou muito de fazer tipo, o que eu falo é porque eu sinto, se não eu não faço, não é real”.

Como está hoje?

“A verdade é que hoje eu estou bem. Fiquei muito mal todo o verão, antes por como terminou a temporada, aí veio o que aconteceu no verão, o burofax e tudo isso. A verdade é que me arrastei um pouco durante o começo da temporada, mas hoje me encontro bem e com vontade de lutar por tudo o que temos pela frente, empolgado. Sei que esse clube está passando por um momento muito complicado em nível de clube, de time e tudo e é difícil tudo o que rodeia o Barcelona, mas estou empolgado”.

Burofax

“Eu vinha dizendo nos últimos seis meses muitas vezes ao presidente que iria embora, que queria sair, que me ajudasse e ele “não, não, não”. Era uma forma séria de dizer que quero ir. É uma forma de oficializar e que chegue ao clube”.

Sobre o que foi dito no verão?

“Ouvia dizer: ‘Com tudo o que o clube te ajudou, que te salvou a vida…’. Eu sou um agradecido eterno a tudo isso, como disse recentemente eu também amo o clube, amo minha cidade, Barcelona, e sinto que eu também dei tudo ao clube, muitíssimo. E que tudo o que o clube me deu eu ganhei e mereci pelo que fiz. Depois chegou um momento que eu pensava que havia cumprido um ciclo, que precisava de uma mudança, que minha cabeça precisava sair disso tudo, por causa dos problemas que estavam no clube naquela época, por causa do que estava por vir. Eu sabia que iria ser um ano de transição, de novas pessoas, de gente jovem e, como sempre disse, queria seguir lutando por mais títulos, pela Champions, pelos campeonatos e sentia que era o momento de mudar e queria sair e fazê-lo bem. Depois aconteceu toda essa bagunça, o presidente desse momento não quis e começou a filtrar as coisas para me fazer ficar mal e ser o vilão do filme e aconteceu tudo o que aconteceu. Mas eu sigo tranquilo que o que fiz era o que sentia e o que devia fazer nesse momento”.

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Em quais ocasiões Bartomeu o enganou?

“(Risos) Em muitas coisas. A verdade que em muitas coisas. Prefiro não tocar no assunto porque não gosto de falar de coisas privadas que aconteceram, não sou de revelar o que foi dito e não prometido, mas posso assegurar que em muitas vezes e em vários anos (ele me enganou)”.

Poderia perder na justiça?

“Não, pelo contrário. Eu sabia que se fosse a julgamento eu teria razão e muitos advogados me confirmaram, não só um, mas muitos advogados. Mas eu não queria sair do Barcelona dessa maneira”.

Quem manda no Barcelona é o Messi?

Isso já se disse há muito tempo, mas também na seleção, que eu escolhia os técnicos, os jogadores, que jogam os meus amigos. É algo que me incomoda que se diga isso e que vire boato que muitos dão como verdade. As pessoas consomem e acreditam em tudo o que sai no jornal ou na TV, que coloco os jogadores em campo, que faço as contratações e a verdade é que tudo está muito longe da realidade”.

Vai negociar com outros clubes em janeiro?

“Não tenho nada claro até que termine a temporada, vou esperar, se não eu não estaria cumprindo o que disse agora. O importante é pensar no time, terminar bem o ano, pensar em tentar conseguir títulos e não me distrair com outras coisas”.

Decisão sobre permanência

“Sei que tem muita gente do clube, do Barcelona, a torcida, que ainda me ama, que quer que eu fique no clube. Também sei que há outras pessoas que, depois do que aconteceu, não pensam assim, mas vou fazer o que seja o melhor para o clube e para mim, não tenho dúvidas, e o que o meu coração e minha cabeça digam”.

O que diria as pessoas se for embora?

“Não sei se vou sair ou não e, se for, gostaria de ir da melhor maneira, sempre falando hipoteticamente. Gostaria de voltar algum dia, voltar à cidade, trabalhar nesse clube, não tem problema. O Barcelona é muito maior que qualquer jogador, incluindo eu, obviamente. Tomara que o presidente que vier faça as coisas bem para voltar a ganhar títulos importantes”.

O que fará quando se aposentar?

“Não sei, não pensei, mas será algo relacionado com o futebol, é o que eu gosto. Sei que será no futebol, mas não como técnico. Não me vejo de treinador, talvez de diretor esportivo para trazer os jogadores que queira ou que acho que o clube precise. Veremos”.

O final da história

“É uma história de amor com o clube e com a cidade. Termine como termine não tem por que manchar o que vivi em toda a minha carreira, não é fácil ter 16 anos de profissional e que tudo tenha corrido bem. Há momentos ruins, muito ruins, mas tudo sempre se supera. Veremos o final”.

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