“Fogo-amigo”: momentos em que brigas internas pesaram o clima nos clubes

Em diversos momentos no mundo do futebol, técnico, jogadores e torcidas estremeceram laços e entraram em conflito

atualizado

metropoles.com

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Ricardo Rímoli / LancePress
Fabrício
1 de 1 Fabrício - Foto: Ricardo Rímoli / LancePress

A cobrança, tanto interna, quanto externa, por bons resultados e desempenhos em um clube de futebol pode gerar desentendimentos e confrontos dentro do próprio clube.

Como exemplo, temos a treta de Pep Guardiola, no Manchester City. Mesmo com um bom início de temporada, o que incluiu uma bela vitória por 5×0 sobre o Arsenal e outra de 6×3 sobre o RB Leipzig, pela Champions League, o técnico cobrou a presença da torcida e acabou criticado pelos mesmos.

Porém, esse não é o único caso de “fogo-amigo” no futebol.

Na edição passado do Campeonato Brasileiro, quando o São Paulo era líder, seis pontos à frente do segundo colocado, e remava firme rumo ao título, Fernando Diniz, técnico do Tricolor à época, causou um climão com o volante Tchê Tchê.

Irritado com o jogador durante uma derrota para o Bragantino, o comandante não mediu suas palavras e o chamou de “mascaradinho”, “perninha”, “ingrato”, entre outros xingamentos e insultos.

Não seria correto afirmar que o episódio prejudicou o desempenho de todo o grupo, mas foi, a partir desse jogo, que o São Paulo engatou uma sequência de resultados negativos e ficou longe da disputa pelo título. Diniz foi demitido por conta da má fase.

Diferentemente do caso acima, outros dois casos terminaram com o “professor” no olho da rua logo após uma discussão.

Em 2010, Neymar e Dorival Júnior entraram em conflito por um motivo bobo: a cobrança de um pênalti. Ainda aos 18 anos, o craque se irritou porque o comandante não o permitiu bater a penalidade máxima.

Eles tiveram uma discussão acalorada e o problema se estendeu até o vestiário. Por conta do episódio, Dorival foi mandado embora do Santos.

Esse episódio gerou a famosa frase de Renê Simões “Estamos criando um monstro”.

Em 2019, Paulo Henrique Ganso, então atleta do Fluminense, o grande parceiro de Neymar no início da carreira, também entrou em uma grande confusão.

Ao ser substituído por Oswaldo de Oliveira em um jogo contra o Santos, no Maracanã, o camisa 10 xingou o comandante de “burro”. O técnico não se intimidou e devolveu a “gentileza”, o chamando de “vagabundo”.

Os dois só não chegaram às vias de fato porque a turma do “deixa disso” agiu e separou os dois.

Porém, muitas vezes, as confusões extrapolam as quatro linhas e chegam até os torcedores, que entram em conflito com as duas partes citadas até aqui.

Foi o caso de Diguinho com a torcida do Fluminense. Em 2009, após uma onda de resultados negativos, os adeptos do Tricolor, indignados com a situação, invadiram o treinamento e foram muito além de xingamentos.

Após pularem o alambrado, alguns “fãs do clube” encontraram alguns jogadores desprotegidos dos seguranças, como foi o caso do atleta, e partiram para a agressão. O atleta levou um soco no rosto e viveu momentos de terror.

Os protetores da equipe, então, atiraram para cima e assustaram a multidão.

Em 2015, o lateral direito Fabrício passou por um momento de explosão contra os torcedores do Internacional. Constantemente vaiado e criticado, o jogador perdeu a cabeça em um jogo contra o Ypiranga, válido pelo Campeonato Gaúcho.

Aos 18 minutos do segundo tempo, quando tinha a bola dominada e era vaiado, o atleta chutou a bola para fora e mostrou o dedo do meio para o público.

Após a reação, ele foi expulso de campo, tirou a camisa e a jogou longe. Depois do episódio, ele foi suspenso pelo Colorado e, logo em seguida, dispensado pelo clube.

Gabriel Jesus, hoje no Manchester City, e Oswaldo de Oliveira, passaram por um momento um tanto quanto diferente com um torcedor palmeirense, em um jogo contra o São Bernardo, válido pelo Campeonato Paulista de 2015.

Porém, a história é tão boa, que será contada pelo próprio comandante, em uma entrevista da época.

E o que falar quando os próprios jogadores entram em combate, como foi o caso do goleiro Bruno e de Petkovic, quando atuavam pelo Flamengo? Na ocasião, em 2010, o Rubro-Negro perdia por 2×0 para o Universidad Católica pela Libertadores, em Santiago, no Chile, ainda no primeiro tempo.

No intervalo, o arqueiro foi para cima do sérvio, indignado com a postura do meia em campo. Ele empurrou o companheiro e, por pouco, não o acertou um soco. Ele precisou ser contido pelos outros jogadores e o golpe passou de raspão.

Em 2009, nem mesmo a liderança do Palmeiras evitou a pancadaria entre o Obina e Maurício Ramos contra o Grêmio.

No final do primeiro tempo, o defensor falhou e o Alviverde sofreu o primeiro gol dos gaúchos naquele confronto, que terminaria em 2×0. Após o apito final, o atacante cobrou Maurício, que não gostou e xingou Obina, motivo suficiente para uma intensa confusão.

Após empurrões, xingamentos e trocas de socos, os dois foram expulsos de campo pelo árbitro. O então presidente do clube, Luiz Gonzaga Belluzzo, tomou uma medida drástica: demitiu os dois atletas.

Após o incidente, o clube paulista entrou em uma decadente e terminou o campeonato daquele ano em 5º lugar.

O desentendimento entre Pep Guardiola e a torcida do Manchester City não foi o primeiro “fogo-amigo” e também não será o último. Entre tantas tretas e problemas internos, a torcida, os jogadores e os técnicos tentam mudar o panorama desfavorável, colocar o time para cima e vencer títulos, mesmo que às vezes não pareça…

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