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Estados Unidos, México e Canadá serão os países-sede da Copa do Mundo de 2026. Essa é a primeira vez que o evento será disputado em um continente e com 48 seleções participantes. A votação foi realizada nesta quarta (13/6), no congresso da Fifa em Moscou, com 134 votos para a candidatura tripla dos países da América da Norte contra 65 votos para Marrocos.

O México já recebeu a Copa em duas oportunidades: 1970, no tricampeonato do Brasil, e 1986, no bi da Argentina. Os Estados Unidos foram a casa do tetracampeonato da Seleção Brasileira, em 1994, enquanto o Canadá sediou a Copa do Mundo de futebol feminino, em 2015.

No novo formato, os 48 classificados serão divididos em 16 grupos com três seleções cada. Os dois primeiros colocados avançarão para a fase de mata-mata.

Entenda a escolha das sedes
Os americanos usaram uma cartada que agradou a Fifa: a promessa de uma receita recorde de US$ 15 bilhões, quase três vezes o que se obteve no Brasil em 2014. A votação ainda cumpriu um plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que precisava levar o Mundial para os EUA, país que o apoiou a assumir o comando da entidade em 2016.

Numa tacada só, ele retribuiu a vitória na eleição, compensou os americanos pela derrota na Copa de 2022 e ainda criou um compromisso do governo dos EUA de não atacar a entidade.

Pelos planos da América do Norte, 17 cidades candidataram-se e poderão sediar os jogos. No entanto, 80% da Copa ocorrerá nos EUA, enquanto México e Canadá ficarão, cada um deles, com 10% das partidas. O Mundial será o primeiro com 48 seleções, o que exigirá 80 partidas, dezenas de campos de treinamento e uma infra-estrutura perfeita. Na avaliação técnica da Fifa, a candidatura americana era bem superior à marroquina.

Depois da polêmica e da suspeita de compra de votos para a Copa de 2022, a Fifa reformou o processo de eleição. Até agora, apenas os 24 membros do Comitê Executivo da entidade votavam. Desta vez, as 209 federações votaram e o resultado foi publicado.

Marrocos, em sua última apresentação diante dos eleitores, tentou insistir no aspecto emocional, alertando que a decisão não pode ser apenas financeira. Um dos ministros marroquinos também acompanhou a delegação, dando garantias financeiras. Ele também apontou que as armas estão proibidas no país, num ataque aos americanos. Outra estratégia usada: a acusação diante dos eleitores de que um garoto americano não saberia quem é Maradona.

Já nos bastidores, os marroquinos também tentaram insistir no fato de que a candidatura unida não seria tão unida, diante da tensão hoje existente entre o presidente americano, Donald Trump, e seus vizinhos.

Como resposta, a candidatura americana usou um jogador canadense, que chegou como refugiado, para romper com a imagem de racismo ou xenofobia do governo de Trump. As referências aos imigrantes, união e solidariedade se repetiam. Brianna Pinto, jogadora americana, fez referência à sua boa relação com atletas iranianas. Mas não convenceu.

Os americanos também insistiram que, pela infra-estrutura que o continente dispõe, a Copa poderia ocorrer lá a qualquer momento. “Já está tudo pronto. Não precisamos construir nada”, apontou um vídeo da candidatura. Além disso, a receita da Copa no Marrocos seria menos da metade daquela que os americanos garantiriam.

Trump
​A realidade é que a última noite foi permeada por barganhas e tensão. Na véspera do voto, Holanda e Luxemburgo mudaram de lado e anunciaram apoio aos marroquinos. Nos bastidores, o ex-presidente da Uefa Michel Platini estava na campanha. O governo da França, depois de receber promessas de que ganharia contratos em obras no Marrocos para os novos estádios, passou a ser o principal cabo eleitoral.

Mas as capitais e os governos também entraram na disputa. Os cartolas americanos solicitaram que Donald Trump usasse o encontro histórico com a Coreia do Norte para pedir apoio do país asiático à candidatura do país.

Horas antes da votação, o presidente Vladimir Putin informou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que apoiaria os americanos, levando consigo seus aliados.

Trump também acionou o Conselho Nacional de Segurança para fazer pressão entre os aliados, enquanto seu genro, Jared Kushner, convenceu os sauditas a não apoiar o país muçulmano e se aliar aos americanos. Funcionou.