Empresa ligada a Ronaldinho Gaúcho é alvo de denúncia do MPF

O Ministério Público Federal e a Comissão de Valores Mobiliários analisam a 18kRonaldinho por aplicar o golpe da pirâmide financeira

Divulgação

atualizado 08/10/2019 22:11

A empresa 18kRonaldinho, que tem Ronaldinho Gaúcho como suposto sócio-fundador, está sendo analisada pelo Ministério Público Federal (MPF) por mostrar indícios de aplicação do golpe conhecido como pirâmide financeira, de acordo com apuração do UOL Esporte. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) junto ao MPF abriu um processo após receber denúncias contra a empresa, que promete lucro de 2% ao cliente que comprasse pacotes que variam de US$ 30 mil a US$ 12 mil.

A firma, que inicialmente vendia relógios, tem sede em Barueri, mas os diretores e o material de divulgação dizem que as operações são feitas em Bahamas, Miami e Hong Kong. Já o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) está no nome de Marcelo Lara, que criou a marca em 2011 e registrou a atividade como “comércio atacadista de cosméticos e produtos de perfumaria”.

Gabriel Villarreal, advogado da companhia, explicou ao UOL como a atividade procede: “O negócio da empresa é baseado na venda de produtos da marca 18k [relógios, cafés, nutracêuticos, semijoias, cursos on-line]. Os participantes da rede, ao adquirirem um dos packs de produtos, passam a participar de um sistema de bonificação diária sobre os resultados da empresa em suas atividades de comércio de produtos e também sobre os resultados da operação de capital próprio da empresa no mercado de criptoativos [capital próprio proveniente da venda dos produtos]”.

Durante muitos anos, o jogador fez propaganda para a empresa que leva seu nome, mas hoje está sendo acusada de um crime contra a economia popular: pirâmide financeira. Segundo o UOL, “o esquema promete retorno expressivo em pouco tempo e é vantajoso apenas enquanto atrai novos investidores”. Porém, quando há uma pausa na associação de clientes, a pirâmide não é capaz de cumprir com o prometido e entra em colapso, prejudicando grande parte dos sócios.

Além da porcentagem jurada, há também o discurso de que, a cada três indicações de novos membros, o sócio recebe US$ 336, cerca de R$ 1.375, conforme a cotação de R$ 4,09 equivalente a US$ 1. O advogado do atleta, Sérgio Queiroz, afirmou ao UOL, na última sexta-feira (04/10/2019), que Ronaldinho rescindiu contrato com a 18k “há duas semanas”. Entretanto, a empresa não confirmou.

“O Ronaldo fechou um contrato de publicidade para vender relógios em 2016. Depois foi feito outro contrato, quando a empresa quis entrar no marketing multinível, para vender outros produtos além do relógio. O Ronaldo nunca deu autorização para negócio com Bitcoin. Assim que soubemos disso, rescindimos o contrato, e agora eles não têm mais nenhuma autorização para usar a imagem do Ronaldo”, afirmou o advogado.

O MPF declarou em nota: “Este é um processo pré-investigatório, com a finalidade de apenas colher informações preliminares e deliberar sobre uma eventual instauração de procedimento investigatório”.

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