Diretora da Conmebol critica hegemonia brasileira na Libertadores
Declaração foi feita durante o painel Football Law Annual Review (FLAR), organizado pela Fifa em Budapeste, na Hungria
atualizado
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A diretora jurídica e secretária-geral adjunta da Conmebol, Montserrat Jiménez, expressou preocupação pública com o domínio atual dos clubes brasileiros nas competições sul-americanas, especialmente na Copa Libertadores.
Em declaração feita durante o painel Football Law Annual Review (FLAR), organizado pela Fifa em Budapeste, na Hungria, a dirigente admitiu que “não gosta” dessa hegemonia e previu um aumento significativo da diferença econômica e competitiva nos próximos anos.
Jiménez destacou que, desde 2019, todas as edições da Libertadores foram vencidas por times brasileiros, com cinco das últimas sete finais sendo exclusivamente entre clubes do Brasil. Segundo ela, já existe uma “diferença econômica do Brasil para os outros nove países sul-americanos”, e isso tende a se agravar.
“Hoje já há diferença econômica do Brasil pra os outros nove países sul-americanos. E isso significa que o descolamento vai ser muito maior, por mais que a diretora jurídica diga ‘eu não gosto’ e que adoraria poder dizer que esse não é o caminho para a América do Sul”, afirmou a dirigente.
Abismo econômico
A executiva apontou o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como um dos principais aceleradores dessa tendência. Ela avaliou que as SAFs “vieram para ficar” e que a maioria dos grandes clubes brasileiros deve adotá-las em breve, permitindo maior captação de investimentos e profissionalização.
Além disso, Jiménez alertou para o avanço acelerado das redes multiclubes no Brasil, comparando a velocidade de adoção a “500 km/h”. O formato, comum na Europa, envolve grupos empresariais controlando múltiplos times em diferentes países, o que pode ampliar ainda mais a disparidade.
A dirigente reconheceu a dificuldade e a complexidade de fiscalizar as SAFs e as redes multiclubes, mas defendeu que a Conmebol precisa trabalhar para promover maior equilíbrio nas competições continentais.
“Acho que há muito trabalho a ser feito porque, se o Brasil se distanciar muito mais, vamos continuar tendo finais totalmente brasileiras“, completou Jiménez.
