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Camisa 10 do Haiti nasceu com mãe em coma e foi batizado por hospital

Prematuro de seis meses, Jean-Ricner Bellegarde é uma das principais esperanças haitianas na Copa do Mundo

19/06/2026 08:55
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M. Anthony Nesmith/Icon Sportswire via Getty Images
Imagem colorida de jean ricner bellegarde, do Hiati- Metrópoles

Jean-Ricner Bellegarde chega ao duelo contra o Brasil como uma das principais esperanças do Haiti na Copa do Mundo. A trajetória do meia, porém, começou com uma batalha muito maior do que qualquer partida de futebol.

Nascido prematuro, com apenas seis meses de gestação, Bellegarde veio ao mundo enquanto sua mãe entrava em coma. Sem familiares presentes no hospital de Colombes, na França, e com a incerteza sobre a sobrevivência dos dois, foram os próprios profissionais de saúde que escolheram o nome do recém-nascido.

“Minha mãe estava em coma, então não havia ninguém para me dar um nome. Foi o hospital que me deu este nome. Quando ela acordou, decidiu mantê-lo porque os médicos disseram que corríamos risco de vida. Era ela ou eu, mas tivemos a sorte de sobreviver”, contou o jogador ao Le Media Carré.

Anos depois, o meia ainda tenta localizar os profissionais que ajudaram a salvar sua vida e a de sua mãe. “Hoje, quando ela me chama de Jean-Ricner, faz isso com orgulho. Eu também tenho orgulho disso”, afirmou.

Nascido e criado na França, Bellegarde fez toda a formação no futebol francês e chegou a defender as seleções de base do país. Apesar disso, em 2025, decidiu representar o Haiti, terra natal de seu pai. Segundo o jogador, a escolha foi motivada pelo desejo de construir algo próprio no futebol internacional.

“Eu queria escrever a minha própria história com o Haiti. A história da seleção francesa já está escrita. Se você ganha uma Copa com a França, muita gente encara como algo normal. Com o Haiti, é diferente”, explicou em entrevista ao Sofoot.

Conquista histórica

A decisão acabou rendendo frutos rapidamente. Bellegarde participou de todos os seis jogos das Eliminatórias da Concacaf e ajudou os haitianos a garantirem uma vaga histórica no Mundial.

A classificação ganhou contornos ainda mais especiais porque o Haiti precisou disputar todos os seus jogos como mandante fora do próprio território, devido à crise de segurança vivida pelo país. Curiosamente, Bellegarde jamais visitou a terra que representa dentro de campo.

“É frustrante porque sei que existem lugares lindos lá. Quero caminhar pela terra onde minha família cresceu. Quero conhecer meu país. Espero que o futebol possa ajudar a trazer um pouco de esperança para as pessoas”, disse.

Fã declarado de Ronaldinho Gaúcho, o meio-campista também revela uma forte ligação com o futebol brasileiro. Segundo ele, Brasil e Argentina sempre foram as seleções estrangeiras mais populares entre os haitianos.

“Desde pequeno eu adorava assistir aos brasileiros, especialmente ao Ronaldinho. Muitos haitianos torciam para Brasil e Argentina. O nome do meu sobrinho é Riquelme, e isso não é coincidência”, brincou.

Bellegarde iniciou a carreira profissional no Lens, ganhou destaque no Strasbourg e chegou ao Wolverhampton, da Inglaterra, em 2023. Agora, terá pela frente justamente a seleção que admirava quando criança.

O Haiti enfrenta o Brasil nesta sexta-feira (19/6), às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo. Os haitianos perderam para a Escócia na estreia por 1 x 0, enquanto a Seleção Brasileira empatou com Marrocos por 1 x 1.