Mãe detalha como “menina Celeste” foi contaminada com Césio-137
Personagem Celeste representa a menina Leide das Neves, que morreu após ser contaminada com Césio-137 quando tinha apenas 6 anos
atualizado
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Lurdes Neves Ferreira, mãe da menina Leide das Neves, contou como a filha foi contaminada pelo Césio-137. O caso voltou aos holofotes após a Netflix lançar a série Emergência Radioativa, que retrata o acidente em Goiânia, em 1987, e rememora a história da criança — chamada Celeste na produção.
Apesar de ter tido contato direto com a substância radioativa, Lurdes não foi afetada. A filha, por sua vez, ficou encantada com o brilho do Césio-137 e mexeu no item após o pai levar um pedaço para a casa da família. A menina tinha 6 anos quando morreu.
Veja quem são as vítimas que morreram:
“Ela tinha pedido um ovo cozido e foram olhar esse brilho. Eu descasquei o ovo, coloquei na mesa e fui chamar ela para comer. Ela estava com uma mão na mesa e a outra terminando de comer o ovo, e [tinha] um caldo preto escorrendo da mão dela”, contou ao site Mais Goiás, no ano passado.
“Juntou o pó do Césio com a água do ovo e escorria aquele caldo preto”, completou.
Como vive Lurdes?
Aos 74 anos, Lurdes vive com uma pensão vitalícia destinada às vítimas do acidente com Césio-137. Segundo a repórter Giovanna Estrela, responsável pela série Memórias Radioativas, do Metrópoles, o benefício, atualmente de R$ 954, abaixo do salário mínimo, é, em grande parte, comprometido com a compra de medicamentos de uso contínuo.
Após a morte da filha, Lourdes também perdeu a casa onde vivia, que foi demolida durante as ações de descontaminação. A família recebeu um novo imóvel do governo estadual em Aparecida de Goiânia, mas nunca retornou ao antigo endereço.
Anos depois, ela também enfrentou a perda do marido, Ivo Alves Ferreira, que teve contato com o material radioativo e conviveu com sequelas por anos. Ele morreu em 2003.


















