Estrela de Emergência Radioativa exalta heróis da tragédia com Césio-137
Minissérie da Netflix sobre o desastre com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, estreia em 18 de março na plataforma
atualizado
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Inspirada no acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, a minissérie Emergência Radioativa, que estreia na próxima quarta-feira (18/3) na Netflix, revisita um dos maiores desastres radiológicos da história. A produção mostra como a abertura de um aparelho de radioterapia abandonado espalhou material radioativo pela cidade, desencadeando uma crise que mobilizou cientistas, autoridades e moradores.
Ao longo de cinco episódios, a trama mostra a corrida contra o tempo para conter a contaminação e salvar vidas. Para Johnny Massaro, que integra o elenco principal como Márcio, a história também revela o papel decisivo da ciência em meio à tragédia.
“É fundamental, porque são eles que reúnem o conhecimento necessário para conter a radiação e, de muitas formas, resolver a situação. Acho que a grande beleza de iluminar a ciência, por assim dizer, é lembrar que é o conhecimento que, em um momento de tragédia como esse, pode definir a vida e a morte.”
Segundo o ator, muitos dos profissionais envolvidos eram jovens e tiveram que agir mesmo sem respostas claras sobre como lidar com a situação. Durante a preparação para a série, Massaro chegou a conversar com cientistas que participaram do enfrentamento da crise em Goiânia.
“Eles nos contaram que eram muito jovens, tão jovens quanto o Márcio. Um tinha 25 e o outro 32. De fato, eles não sabiam exatamente o que fazer e pensavam: ‘Cara, como a gente pode resolver isso? Porque a gente não sabe!’. Ainda assim, colocaram as próprias vidas em risco para tentar salvar outras.”
O fascínio perigoso do “pozinho azul”
Um dos aspectos mais marcantes do acidente foi o fato de que as vítimas não tinham dimensão do perigo. O pó azul brilhante do Césio-137 despertou curiosidade e acabou sendo manuseado por diversas pessoas.
Massaro afirma que a série também provoca uma reflexão sobre como qualquer pessoa poderia ter reagido diante daquela situação.
“E se fôssemos nós? Se a gente não tivesse essa informação? Sobretudo nos anos 1980, quando não havia internet e o acesso à informação era muito mais limitado.”
O ator destaca que o risco era ainda maior justamente por se tratar de um inimigo invisível. “Não é algo que você consegue detectar ou enxergar e, ao mesmo tempo, é extremamente letal, extremamente perigoso.”
História marcada por heroísmo
Para Massaro, o acidente do Césio-137 revelou gestos de coragem em diferentes camadas da sociedade, desde cientistas até moradores que tentaram ajudar durante a crise.
“Essa é uma história com muitos heróis. Não são apenas os físicos e os médicos, são também os moradores, as vítimas, as pessoas comuns que se dispuseram a ajudar da maneira que podiam.”
O ator diz que interpretar uma narrativa baseada em fatos reais exigiu cuidado e respeito, principalmente pelas pessoas diretamente afetadas pela tragédia. “Estamos lidando com dores reais. Dores de pessoas que já não estão mais aqui e dores de pessoas que ainda estão aqui.”
Tragédia que mobilizou uma cidade
O acidente em Goiânia aconteceu apenas um ano após o desastre nuclear de Chernobyl e provocou pânico em todo o país. Moradores tiveram a circulação controlada e produtos vindos da cidade chegaram a ser evitados em diferentes regiões do Brasil.
A crise também mobilizou médicos, físicos e outros especialistas que trabalharam para conter a contaminação e tratar as vítimas. Segundo Massaro, a história evidencia como momentos extremos podem despertar senso de coletividade.
“Acho que não há nada mais unificador do que uma tragédia, infelizmente. Às vezes, precisamos atravessar grandes catástrofes para entender que dependemos uns dos outros.”










