
100% Jardim Irene: Cafu é destaque em série sobre futebol de várzea
Com relatos de Cafu e Raphinha, a série documental Várzea: Onde Nasce o Futebol mergulha no universo do esporte em São Paulo

Além de Raphinha, o jogador Marcos Evangelista de Morais, famoso pelo apelido de Cafu, também é um dos destaques da nova minissérie documental da Netflix, Várzea: Onde Nasce o Futebol. Os diretores Alec Cutter e Fabio Inine revelaram ao Metrópoles o motivo de terem convidado, dentre tantos jogadores que começaram da mesma forma, Cafu e Raphinha para compartilharem as histórias deles na produção.
A ideia de chamar Cafu vem da cena em que ele, como capitão, exibiu a frase “100% Jardim Irene” na camisa da Seleção Brasileira após a vitória que consagraou o pentacampeonato, na Copa do Mundo de 2002 (veja abaixo). “Eu queria muito contar essa história, especificamente”, admitiu Cutter. Por ter conhecimento da história de Raphinha, que foi ameaçado durante um campeonato, ele também quis mostrar esse lado.
“Eu não queria só colocar um jogador famoso sem uma ideia do que eles iam falar, porque eu queria eles falassem uma coisa específica”, explicou o diretor.
A minissérie Várzea: Onde Nasce o Futebol chega às plataformas neste sábado (20/6). Alec e Fabio ressaltaram que, além de ser um lugar de início para os jogadores, a várzea também é, atualmente, um lugar de final.
“A várzea tem isso hoje. Mesmo na Seleção, são vários jogadores que vieram e se estruturaram lá. E a gente sabe que tem jogadores que, às vezes, não têm tanto sucesso, mas jogam carreiras inteiras em times profissionais e terminam na várzea”, disseram.
Veja o trailer da série:
Inine também comentou os recentes ataques sofridos por Raphinha, que defende a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Para ele, o meio-campista gaúcho, como qualquer jogador que está no auge, pode ser criticado.
“No Brasil, são mais de 230 milhões de pessoas que querem comandar a Seleção Brasileira. O Raphinha é um jogador de altíssimo nível, […] a gente sabe pela história dele, pelo histórico, pelo que a gente conta no Várzea, que ele é um cara com muita garra e vontade. Ele é um cara que passou por muita coisa pra chegar onde ele chegou”, opinou.
Fabio destacou que a importância do futebol de várzea vai além do campeonato. “Movimenta muita gente, uma comunidade, uma estrutura toda. E há uma forma de se jogar que tem muito mais paixão, no meu ponto de vista, do que o futebol profissional. Porque lá você vê que a vida das pessoas que estão envolvidas depende disso.”
Como retratar o futebol de várzea
Fabio Inine explicou que o projeto foi idealizado por Cutter que, mesmo sendo norte-americano, sempre foi apaixonado pelo futebol brasileiro.
“Eu acho que é muito interessante porque a gente, como brasileiro, está acostumado com essa realidade. Eu convivo e conheço o futebol de várzea desde pequeno. Foi muito bom porque o Alec, vindo de fora, mas apaixonado por futebol, tendo essa visão, conseguiu olhar isso de um jeito muito interessante. E a gente procurou mostrar um pouco do lado humano das pessoas, que eu acho que é onde o Brasil e as pessoas se conectam”, pontuou.
Com a produção, os diretores tiveram acesso inédito aos bastidores da Super Copa Pioneer, o maior e mais prestigiado campeonato de várzea de São Paulo, que reúne hoje mais de 80 times.
A disputa foi um dos motivos para a capital paulista ser palco do documentário. Segundo o norte-americano, a Pioneer “é o mais prestigioso e mais estruturado campeonato do Brasil”.

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