Análise: Gugu Liberato foi o Silvio Santos da geração millennial

Apresentador morreu, nesta sexta-feira (22/11/2019), após sofrer um acidente doméstico

FERNANDO PEREIRA/ESTADÃO CONTEÚDOFERNANDO PEREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 23/11/2019 11:41

Os programas de auditório já eram gênero consolidado quando a TV brasileira completava seus 30 anos. Com nomes do porte de Hebe Camargo, Chacrinha e Silvio Santos, o dream team parecia formado, sem previsão de esgotamento ou da abertura de novas inscrições, digamos assim. Foi quando surgiu na cena Augusto Liberato, o Gugu. Ele foi um dos primeiros da nova geração deste segmento, antes mesmo de Xuxa, Angélica ou até Faustão. Com o Viva a Noite, na década de 1980, o apresentador começou sua escalada para o sucesso, firmando-se nas décadas seguintes como um dos maiores comunicadores do país.

No SBT, sua casa por mais de 25 anos, construiu a carreira em programas como TV Animal, Passa ou Repassa e Sabadão Sertanejo. Mas foi a partir de 1993 que seu produto mais famoso invadiu a casa dos brasileiros durante as preguiçosas tardes de domingo em família, protagonizando momentos memoráveis, outros nem tanto, além de partir para a briga de audiência de igual para igual com a até então invencível Rede Globo.

O Domingo Legal seguia o perfil popular da emissora, com atrações variadas e vocações diversas. Era um pouco game show, com a disputa de times masculino e feminino em uma gincana meio maluca e deveras sexualizada, a inesquecível Banheira do Gugu não me deixa mentir. Quem não se lembra do grito de guerra, “São as mulheres, oba, são as mulheres, oba!”?

Por outras vezes, o programa era uma espécie de hit parade musical, trazendo para apresentações, movidas a playback, os grandes hits tocados à exaustão nas rádios brasileiras. O case Mamonas Assassinas, habituês do show, é talvez um dos mais famosos. A morte deles abalou o Brasil inteiro em um daqueles domingos. Choramos todos ligados na tela do SBT.

Em nota mais festiva, o programa comandado por Gugu trouxe ao país grandes estrelas mexicanas, fato movido pelo êxito da exibição de novelas do país latino na emissora, por exemplo Thalia, estrela das Marias, Mercedes, do Bairro e Marimar, e o megapopular grupo RBD.

Precursor da reality TV, Augusto Liberato estrelou o clássico Táxi do Gugu, em que uma câmera escondida mostrava anônimos na companhia do famoso apresentador devidamente disfarçado, cada semana com um visual mais elaborado do que o outro. Fez alarde também o Gugu na Minha Casa, em que ele adentrava o lar dos famosos em busca de itens corriqueiros, tipo um frasco de Leite de Aveia Davene, em troca de prêmios.

Homem discreto, o comunicador sempre manteve sua vida pessoal em segundo plano, longe das revistas de fofoca. Porém um fato, este ligado ao trabalho, quase lhe custou a reputação conquistada em tantos anos de TV: uma entrevista com supostos membros do PCC, levada ao ar em 2003, era falsa e causou rebuliço. Em 2009, Gugu deixou a nave-mãe pela Record e, assim como outros artistas de seu gênero, a mudança de emissora não o favoreceu (basta lembrar de Hebe na RedeTV! e mais recentemente de Xuxa na mesma casa do apresentador).

Paulo Fridman/Corbis via Getty Images
Gugu Liberato sempre foi discreto sobre sua vida pessoal

Durante os últimos anos, Gugu ia e voltava da grade de programação, oscilando entre temporadas fora da telinha e momentos à frente dos holofotes. Desde 2018 apresentava o Power Couple Brasil e, mais recentemente, o Canta Comigo.

No início de novembro a internet levou um susto ao se deparar com a informação de que ele teria morrido. Era mais uma das horrendas fake news que povoam nossa rede. De Singapura, na Ásia, Gugu afirmou estar tudo bem. Foi apenas um susto. Por ironia do destino, semanas depois recebemos a notícia que ninguém queria receber. Quisera desta vez também fosse mentira. Descanse em paz, Augusto Liberato.

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