Artigo: cinco importantes motivos para falar sobre teatro em Brasília

A capital é sinônimo de artistas empenhados, uma cena inquieta e uma força redobrada para romper a falta de apoio cultural

Diego Bresani/DivulgaçãoDiego Bresani/Divulgação

atualizado 12/07/2019 20:10

Você já foi ao teatro? Em caso negativo, eu te desafio a ler este texto. Estima-se que 86% da população do Distrito Federal jamais pisou o pé em uma sala de espetáculo. O número é do próprio governo, a partir de uma pesquisa realizada pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan). Em determinadas regiões administrativas, o percentual bate 99%. Mas há uma galera empenhada dia e noite para reverter esse quadro. E não é de hoje.

Ainda que Brasília viva uma das mais pulsantes cenas teatrais do país, são muitas as dificuldades de divulgação, acesso e estrutura do setor, desacreditado historicamente por fracas políticas públicas e falta de gestão cultural. O resultado são os 86% ali de cima. Nem por isso o teatro esmorece. Não se sustenta a afirmação de que “não há nada em cartaz em Brasília”. Há muita coisa, muita gente, muita vontade para fortalecer a cena. E são diversos os motivos para isso. Por aqui, a cada sexta-feira, vou listar alguns. E começo enumerando as razões fundamentais para falarmos sobre teatro em Brasília e, quem sabe, te convidar a frequentar o outro lado daquele percentual do primeiro parágrafo. Nem toda maioria é ilustre.

A importância da arte

O acesso à cultura é das poucas forças capazes de te tirar de um lugar comum, de te abrir para novos conhecimentos e de apresentar argumentos desconhecidos. Ao falar sobre teatro, a imprensa cumpre um papel fundamental de aproximar público e obra. Ir ao teatro é um ato político, crítico e construtivo. Falar sobre ele é desmistificá-lo. O teatro é para todos, sem exceção.

Valmyr Ferreira Luz/@valmyrferreiraluzfoto

Os artistas

Artista é sinônimo de trabalho e muita dedicação, de gente que paga conta, mensalidade de escola de menino pequeno e gasolina alta. Gente que encara cotidiano de resistência, falta de informação e ausência de políticas de incentivo, movida pelo desejo de te emocionar. Na rua, no tablado, na dança, na palhaçaria e no circo, Brasília sempre foi referência em crias teatrais, embora não reverencie seus mestres. Falar sobre teatro é uma forma de celebrá-los. Desde os cânones acadêmicos aos malabaristas de semáforos.

Equipamentos culturais

Nem só de Teatro Nacional vive Brasília. São muitos os palcos espalhados por todo o DF sedentos por público, assim como são muitas as cidades onde a rua é o único palco possível. Falar sobre teatro ajuda a descentralizar e reverter o êxodo tradicional. Passou da hora de o Plano Piloto frequentar a periferia e saudar a arte, os artistas e as expressões que correm fora dos eixos.

Ferramenta pedagógica

O teatro pode ser a mais poderosa ferramenta de educação no desenvolvimento cívico, social e intelectual da população. A cada dramaturgia, lições fundamentais na formação de caráter e intelecto são encenadas. Cada peça pode ser um convite para obras literárias, pensamentos críticos ou histórias de valor. O espetáculo pode ser o melhor sorriso da semana, sua melhor gargalhada, aquele choro engasgado ou aquela catarse há tempos esperada. Vai por mim: o teatro traz tudo à tona. Tudo. Pode ser melhor que Rivotril.

Resgate social

É no teatro que vozes oprimidas ganham espaço e temas tabus são acolhidos. Ali se fala o que ninguém fala. É lugar livre, de acolhimento, de sermos quem quisermos. É uma forma de se combater o ócio, o ódio e o abandono. É espaço de conexão consigo mesmo e com o outro, de igual pra igual, sem classe social, sem cor, sem dedo na cara. É aquele berro preso na garganta. É tirar das ruas e dar propósito. É dar objetivo e afeto. É valorizar o invisível. Teatro resgata.

Criou coragem ou vai continuar criando desculpas?