O Governo do Distrito Federal anunciou, neste sábado (11/05/2019), o lançamento de edital para a revitalização do Teatro Nacional Claudio Santoro. Fechado desde 2014, o cartão postal de Brasília será reformado inicialmente ao custo de R$ 25 milhões. A primeira etapa das obras atingirá a sala Martins Penna, a segunda em quantidade de lugares, que tem capacidade de receber mais de 400 pessoas.

Os recursos sairão de uma linha contínua do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) a ser criada para esse fim. O fundo prevê a destinação orçamentária a projetos de infraestrutura cultural, conforme revelado pelo Metrópoles. O secretário de Cultura, Adão Cândido, defende o direcionamento da verba pública para beneficiar a arte.

“É fundamental contemplarmos as mais diversas áreas da cultura dentro das iniciativas de fomento, garantindo investimentos em todos os setores”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa, Adão Cândido.

Protestos
A decisão causou incômodo na classe artística local. Os produtores reclamam que a medida ameaça a liberação da verba para fomento cultural, prevista desde 2018. Caso não recebam apoio do governo, mais de 300 projetos serão suspensos e cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos podem ser extintos.

“O secretário de Cultura [Adão Cândido] não está dialogando conosco. Faltou a duas audiências públicas. Essa possibilidade de cancelamento é um profundo desrespeito”, disparou o maestro Rênio Quintas, quando questionado sobre a decisão do governo.

O anúncio do edital atende uma das promessas do governador Ibaneis Rocha (MDB), ainda durante a campanha eleitoral, de reformar a maior casa de espetáculos do Distrito Federal. “Nossa meta é construir planos para garantir conservação e manutenção dos espaços, bem como a qualidade do conteúdo de cada um”, ressalta Adão Cândido.

Portas fechadas
Obra de Oscar Niemeyer, o Teatro Nacional está fechado desde janeiro de 2014 por recomendação do Corpo de Bombeiros e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

O local não atendia as normas de acessibilidade e segurança determinadas por lei. No mesmo ano, a Secretaria de Cultura do DF realizou licitação para a reforma, o orçamento estimado em mais de R$ 200 milhões fez com que a então gestão adiasse as obras.

Pelo alto valor, o governo local passou a adequar o projeto de forma a permitir a realização da reforma em etapas, desde que houvesse disponibilidade financeira. Pela ordem estabelecida, a Sala Martins Penna será a primeira a ser revitalizada. Na sequência, as Salas Alberto Nepomuceno, Villa-Lobos e também o Espaço Dercy Gonçalves.