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Entretenimento

Som da Liberdade estreia com peso de ser o filme mais polêmico do ano

Apesar do baixo orçamento, a produção sobre tráfico sexual de crianças fez sucesso nos EUA e está sendo aclamado por políticos de direita

21/09/2023 02:00
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Foto colorida de Jim Caviezel em cena do filme Som da Liberdade - Metrópoles

Um dos filmes mais polêmicos do ano, Som da Liberdade estreia nesta quinta-feira (21/9) nos cinemas brasileiros. A produção, sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, é dirigida por Alejandro Monteverde e roteiriza um caso real de tráfico sexual de crianças.

Com um tema sensível, a produção não agrada a todos. Apesar de ser inspirado em fatos reais, o longa-metragem não segue o roteiro contado por Tim Ballard, ex-agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos que larga a função para combater o tráfico sexual de pessoas e inspira o filme.

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Em entrevista ao Metrópoles, o diretor Alejandro Monteverde confirmou a informação e disse que fez modificações na história. “Por conta do tema pesado, eu queria fazer um filme que as pessoas conseguissem terminar de ver. Então, em alguns momentos, Ballard me dizia: ‘isso não aconteceu’, mas eu tinha que seguir a produção daquela maneira”, explica, revelando que existem momentos de ficção.

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Jim Caviezel em Som da Liberdade
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Jim Caviezel em Som da Liberdade

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Outro ponto que causou polêmica é a necessidade de um homem estadunidense, embalado pela fé, sair dos Estados Unidos para combater o tráfico humano na América Latina como se fosse um herói. Realmente, de certa forma, a produção não aborda com firmeza a prática do crime no país norte-americano.

Segundo o criador do Angel Studios, responsável pela distribuição do filme, Jeffrey Harmon, a importância do tema, independente de onde a história se passa, é o suficiente para que exista uma reflexão e mudanças governamentais sobre a causa. “O filme ficou engavetado por cinco anos por diversos motivos, mas esperamos que ele chame a atenção do público para esse assunto tão importante.”

A questão política também acabou sendo envolvida em Som da Liberdade. O filme foi relacionado com o grupo conspiracionista QAnom. Esse grupo de extrema-direita acredita que existe uma elite global composta por pedófilos que sequestram crianças para beber o sangue delas.

Como o filme fala exatamente sobre o tráfico de crianças, algumas pessoas apontaram a produção como uma espécie de divulgadora dessa teoria. Questionado pelo Metrópoles sobre a possibilidade, Harmon foi sucinto. “Eu acredito que foi feito esse esforço para derrubar o filme e não deu certo”, disse.

Desde o lançamento em 4 de julho, o filme arrecadou mais de US$ 173 milhões nos EUA e no Canadá. Com a chegada ao Brasil, Som da Liberdade já está sendo adotado por políticos da direita, muito por conta do viés religioso.

O personagem de Caviezel diz, no filme, que “os filhos de Deus não estão à venda”. Tal fala viralizou entre os mais religiosos e está ajudando a propagar a produção. Apesar disso, Monteverde afirma que é um filme para todas as pessoas, independente da crença religiosa. “Para quem tem fé e para quem não tem fé. O tráfico de crianças é um crime que deveria preocupar a todos”, pontuou.

Com baixo custo de produção, Som da Liberdade já conseguiu se pagar apenas com o lançamento nos Estados Unidos e Canadá. Repleto de polêmicas, a tendência é que o filme seja ainda mais impulsionado e essa margem de lucro continue a subir.